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Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica?

Como que uma pessoa esquizofrênica se comporta?

A esquizofrenia é um transtorno mental caracterizado pela perda de contato com a realidade (psicose), alucinações (é comum ouvir vozes), falsas convicções (delírios), pensamento e comportamento anômalo, redução das demonstrações de emoções, diminuição da motivação, uma piora da função mental (cognição) e problemas no desempenho diário, incluindo no âmbito profissional, social, relacionamentos e autocuidado.

Nem a causa nem o mecanismo da esquizofrenia são conhecidos. A pessoa pode ter uma variedade de sintomas, desde comportamento bizarro e incerto e fala desorganizada a perda de emoções, bem como pouca ou nenhuma fala até a incapacidade de se concentrar e se lembrar de eventos. O médico faz o diagnóstico da esquizofrenia tomando por base os sintomas e depois de ter realizado exames para descartar outras possíveis causas de psicose. O tratamento envolve medicamentos antipsicóticos, programas de formação e atividades de apoio comunitário, psicoterapia e educação familiar. O resultado é influenciado pelo fato de a pessoa estar ou não tomando os medicamentos da maneira receitada. A detecção precoce e o tratamento precoce melhoram o funcionamento em longo prazo

A esquizofrenia é um grande problema de saúde pública em todo o mundo. O transtorno pode afetar os jovens no momento exato em que estão estabelecendo a sua independência e pode ter como resultado incapacidade e estigma durante toda a vida. Em termos de custos pessoais e econômicos, a esquizofrenia encontra-se entre os piores transtornos que afetam a humanidade.

A esquizofrenia afeta aproximadamente 1% da população mundial e ocorre na mesma proporção em homens e mulheres. Nos Estados Unidos, a esquizofrenia é responsável pelo afastamento de uma em cada cinco pessoas que solicitam dias de despensa no seguro social, bem como por 2,5% dos gastos com todo o serviço de saúde.

A esquizofrenia é mais frequente do que a doença de Alzheimer e a esclerose múltipla. Os fatores que podem fazer com que as pessoas sejam vulneráveis à esquizofrenia incluem:

Predisposição genética Problemas ocorridos antes, durante ou depois do nascimento, como infecção pelo vírus influenza na mãe durante o segundo trimestre da gravidez, falta de oxigênio no momento do parto, baixo peso ao nascer e incompatibilidade do tipo de sangue entre mãe e filho Infecções no cérebro Uso de canabis no início da adolescência

As pessoas que têm um progenitor ou um irmão com esquizofrenia têm um risco de cerca de 10% de desenvolver o transtorno em comparação com um risco de 1% entre o resto da população. Um gêmeo cujo irmão gêmeo tenha esquizofrenia tem um risco de 50% de desenvolver a doença.

Essas estatísticas sugerem que a hereditariedade está envolvida. A esquizofrenia pode ter início súbito, em um intervalo de dias ou semanas, ou lento e gradativo, ao longo de anos. Ainda que a gravidade e a sintomatologia variem entre diferentes pessoas com esquizofrenia, geralmente a gravidade dos sintomas consegue afetar a capacidade da pessoa de trabalhar, de interagir com outros e de cuidar de si mesma.

Contudo, às vezes, os sintomas são leves no início (o chamado pródromo). A pessoa pode simplesmente parecer afastada, desorganizada ou desconfiada. É possível que alguns médicos reconheçam estes sintomas como sendo o início da esquizofrenia, porém outros apenas os reconhecem em retrospectiva.

A esquizofrenia é caracterizada por sintomas psicóticos, que incluem delírios, alucinações, pensamento e fala desorganizados e comportamento bizarro e inadequado. Os sintomas psicóticos envolvem uma perda do contato com a realidade. Algumas pessoas com esquizofrenia podem apresentar uma diminuição da função mental (cognitiva), às vezes já desde o começo do transtorno.

Esse comprometimento cognitivo dá origem a dificuldades de atenção, raciocínio abstrato e de resolução de problemas. A gravidade do comprometimento cognitivo é um determinante primordial da incapacidade global em pessoas com esquizofrenia. Muitas pessoas com esquizofrenia estão desempregadas e têm pouco ou nenhum contato com familiares ou outras pessoas.

Sintomas positivos Sintomas negativos Desorganização Comprometimento cognitivo

A pessoa pode ter sintomas de uma ou de todas as categorias. Sintomas positivos envolvem uma distorção das funções normais. Eles incluem os seguintes:

Delírios são falsas convicções que, geralmente, implicam em má interpretação das percepções ou das experiências. Além disso, a pessoa mantém essas convicções, mesmo que exista uma evidência clara que as contradizem. Existem vários tipos possíveis de delírio. Por exemplo, a pessoa com esquizofrenia pode apresentar delírios de perseguição, acreditar que está sendo atormentada, perseguida, enganada ou espionada. Ela pode ter delírios de referência e, por isso, acreditar que certas passagens de livros, jornais ou canções se dirigem especificamente a ela. Ela pode ter delírios de roubo ou de imposição do pensamento, porque acredita que os outros conseguem ler sua mente, que os pensamentos são transmitidos a outros ou que os pensamentos e impulsos lhe estão sendo impostos por forças externas. Os delírios na esquizofrenia podem ser bizarros ou não. Os delírios bizarros são claramente inverossímeis e não são derivados de experiências ordinárias da vida. Por exemplo, a pessoa pode acreditar que alguém removeu seus órgãos internos sem deixar uma cicatriz. Os delírios que não são bizarros envolvem situações que poderiam acontecer na vida real, como ser seguido ou ter um cônjuge ou parceiro infiel. Alucinações envolvem ouvir, ver, sentir o gosto ou ter a sensação física de coisas que ninguém mais sente. As alucinações que são ouvidas (alucinações auditivas) são, de longe, as mais comuns. Uma pessoa pode ouvir vozes que comentam seu comportamento, que conversam entre elas ou que fazem comentários críticos e abusivos.

Sintomas negativos envolvem uma diminuição ou perda das funções emocionais e sociais normais. Eles incluem os seguintes:

A redução das demonstrações de emoções (embotamento afetivo) é quando a pessoa exibe pouca ou nenhuma emoção. A face pode parecer imóvel. A pessoa faz pouco ou nenhum contato visual. A pessoa não usa as mãos ou a cabeça para adicionar ênfase emocional ao conversar. É possível que coisas que normalmente causariam riso ou choro não provoquem nenhuma reação. Pobreza discursiva é a diminuição da quantidade de fala. As respostas às perguntas podem ser concisas (uma ou duas palavras), dando a impressão de um vazio interior. Anedonia é a diminuição da capacidade de sentir prazer. A pessoa pode ter pouco interesse nas atividades anteriormente realizadas e gastar mais tempo com atividades sem objetivo. Insociabilidade é a falta de interesse em relacionar-se com outras pessoas.

Esses sintomas negativos estão associados, frequentemente, a uma perda geral da motivação, do sentido de propósito e dos objetivos. Desorganização é um transtorno de pensamento e comportamento bizarro:

Transtorno de pensamento consiste no pensamento desorganizado, que se torna evidente quando a fala é incoerente ou muda de um tema para outro. A fala pode ser discretamente desorganizada, ou ser completamente incoerente e incompreensível. O comportamento bizarro pode tomar a forma de simplismos de caráter infantil, agitação ou aparência, higiene ou comportamento inadequados. O comportamento catatônico é uma forma extrema de comportamento bizarro, em que uma pessoa mantém uma postura rígida e resiste aos esforços de ser movida ou, ao contrário, realiza movimentos aleatórios.

O comprometimento cognitivo é a dificuldade de se concentrar, recordar, organizar, planejar e resolver problemas. Algumas pessoas são incapazes de se concentrar o suficiente para ler ou acompanhar uma história, um filme ou um programa de televisão ou até mesmo seguir instruções.

Outras são incapazes de ignorar as distrações ou de permanecer concentradas em uma tarefa. Por isso, pode ser impossível realizar um trabalho que exija atenção aos detalhes, participação de processos complexos, tomada de decisões ou entendimento de interações sociais. Entre 5% e 6% das pessoas com esquizofrenia cometem suicídio, cerca de 20% tentam, e uma quantidade muito maior têm pensamentos suicidas significativos.

O suicídio é a principal causa de morte prematura em pessoas jovens com esquizofrenia e é um dos principais motivos pelos quais a esquizofrenia causa uma redução de dez anos no tempo de vida médio. O risco de suicídio é maior em pessoas que desenvolveram esquizofrenia em uma idade mais avançada e que vinham tendo um bom desempenho antes de ela se desenvolver.

Essas pessoas conseguem continuar a sentir mágoa e angústia. Assim, elas têm mais probabilidade de agir motivadas pelo desespero, porque elas reconhecem os efeitos do transtorno. Essas pessoas também são aquelas com o melhor prognóstico de recuperação. Ao contrário da opinião popular, as pessoas com esquizofrenia têm apenas um risco discretamente elevado de comportamento violento.

Ameaças de violência e surtos agressivos de menor gravidade são muito mais comuns que comportamento gravemente agressivo. Apenas um número muito pequeno de pessoas paranoicas, isoladas e gravemente deprimidas atacam ou matam alguém que consideram a única fonte de suas dificuldades (por exemplo, uma autoridade, uma pessoa famosa, o cônjuge).

Aquelas que têm delírios de que estão sendo perseguidas Aquelas cujas alucinações lhes ordenam a praticar atos de violência Aquelas que não tomam os medicamentos receitados

No entanto, mesmo levando em conta os fatores de risco, os médicos consideram difícil prever com precisão se uma determinada pessoa com esquizofrenia cometerá um ato violento.

A avaliação do médico, tomando por base critérios específicos Exames de laboratório e de imagem para descartar a possibilidade de outros problemas de saúde

Não existe um exame diagnóstico definitivo para esquizofrenia. O médico estabelece o diagnóstico com base numa avaliação abrangente do histórico da pessoa e da sua sintomatologia. A esquizofrenia será diagnosticada quando ambos os critérios a seguir estão presentes:

Dois ou mais sintomas característicos (delírios, alucinações, fala desorganizada, comportamento desorganizado, sintomas negativos) persistem por, no mínimo, seis meses. Esses sintomas causam deterioração significativa no desempenho profissional, escolar ou social.

Informações fornecidas pela família, pelos amigos ou pelos professores são importantes para definir o início do transtorno. Exames laboratoriais costumam ser realizados para descartar a presença de um transtorno por uso de substâncias Transtornos por uso de substâncias De modo geral, os transtornos por uso de substâncias incluem padrões de comportamento nos quais a pessoa continua a usar a substância (por exemplo, uma droga recreativa) apesar dos problemas.

Leia mais ou de um quadro clínico, neurológico ou hormonal de base que possa ter as características de uma psicose. Exemplos desses quadros clínicos incluem tumores cerebrais, epilepsia do lobo temporal, doenças da tireoide, doenças autoimunes, doença de Huntington, doenças hepáticas, efeitos colaterais de medicamentos e deficiências de vitamina.

Às vezes, são realizados exames para detectar a presença do transtorno por uso de substâncias. São feitos exames de diagnóstico por imagem do cérebro, como a tomografia computadorizada (TC) ou a ressonância magnética (RM), para descartar um tumor cerebral.

Embora as pessoas com esquizofrenia apresentem anormalidades cerebrais que podem ser visualizadas na TC ou RM, as anormalidades não são específicas o suficiente para ajudar a diagnosticar a esquizofrenia. Além disso, o médico tenta descartar uma série de outros transtornos mentais que têm as mesmas características da esquizofrenia, como o transtorno psicótico breve Transtorno psicótico breve Os sintomas do transtorno psicótico breve se assemelham a delírios, alucinações ou outros sintomas da esquizofrenia psicóticos, porém eles duram muito menos tempo (de um dia a um mês).

A pessoa. leia mais, o transtorno esquizofreniforme Transtorno esquizofreniforme O transtorno esquizofreniforme causa sintomas da esquizofrenia, mas os sintomas duram apenas entre um e seis meses. Assim como é o caso da esquizofrenia, a pessoa com transtorno esquizofreniforme.

Leia mais, o transtorno esquizoafetivo Transtorno esquizoafetivo O transtorno esquizoafetivo é caracterizado pela presença de sintomas de humor, como depressão ou mania, acompanhado pelos sintomas da esquizofrenia psicóticos. A psicose diz respeito a sintomas. leia mais e o transtorno de personalidade esquizotípica Transtorno de personalidade esquizotípica O transtorno de personalidade esquizotípica é caracterizado por um padrão generalizado de desconforto intenso com relacionamentos íntimos e com capacidade reduzida para tal, por pensamento e.

leia mais, A detecção precoce e o tratamento precoce se tornaram as diretrizes principais para o manejo da esquizofrenia. Quanto antes o tratamento é iniciado, melhor o resultado. Em pessoas com esquizofrenia, o prognóstico depende muito da aderência ao tratamento com medicamentos.

  • Sem tratamento com medicamentos, 70 a 80% das pessoas têm um novo episódio durante o primeiro ano após o diagnóstico.
  • A administração contínua de medicamentos pode reduzir essa porcentagem para cerca de 30% e pode diminuir significativamente os sintomas na maioria das pessoas.
  • Após a alta hospitalar, a pessoa que não tomar os medicamentos receitados tem muita probabilidade de precisar ser hospitalizada novamente dentro de um ano.

Tomar os medicamentos receitados reduz enormemente a probabilidade de uma reinternação. Apesar do benefício demonstrado pela farmacoterapia, metade das pessoas com esquizofrenia não toma os medicamentos receitados. Algumas não reconhecem a sua doença e se recusam a tomar os medicamentos.

  1. Outras param de tomar os medicamentos devido aos efeitos colaterais desagradáveis.
  2. Problemas de memória, desorganização ou simplesmente falta de dinheiro impedem que algumas pessoas tomem os medicamentos.
  3. A aderência pode melhorar se as barreiras específicas forem ultrapassadas.
  4. Quando as reações adversas aos medicamentos são o principal problema, pode ser útil mudar para um medicamento diferente.

Uma relação consistente e de confiança com um médico ou outro terapeuta ajuda algumas pessoas com esquizofrenia a aceitarem positivamente sua doença e a reconhecerem a necessidade de cumprir o tratamento receitado. Em longo prazo, o prognóstico da esquizofrenia varia, via de regra, da seguinte maneira:

Um terço das pessoas consegue alcançar uma melhora significativa e duradoura. Um terço consegue alcançar uma melhora moderada com recidivas intermitentes e incapacidade residual. Um terço apresentará invalidez grave e permanente.

Apenas aproximadamente 15% das pessoas com esquizofrenia conseguem ter o mesmo desempenho que tinham antes de a esquizofrenia se desenvolver. Os fatores associados a um prognóstico melhor incluem:

Início súbito dos sintomas Idade mais avançada quando os sintomas têm início Um bom nível de habilidades e conquistas antes de ficar doente Apenas um comprometimento cognitivo leve A presença de apenas alguns sintomas negativos (por exemplo, a redução das demonstrações de emoções) Um período de tempo mais curto entre o primeiro episódio psicótico e o tratamento

Os fatores associados a um mau prognóstico incluem:

Idade mais jovem quando os sintomas têm início Problemas de desempenho em situações sociais e no trabalho antes de adoecer Histórico familiar de esquizofrenia A presença de muitos sintomas negativos Um período de tempo mais longo entre o primeiro episódio psicótico e o tratamento

O prognóstico para homens é pior que para mulheres. As mulheres respondem melhor ao tratamento com medicamentos antipsicóticos.

Medicamentos antipsicóticos Psicoterapia Cuidados especializados coordenados

De modo geral, o objetivo do tratamento da esquizofrenia é

Reduzir a gravidade dos sintomas psicóticos Evitar a recorrência dos episódios sintomáticos e a deterioração das funções a eles associada Fornecer apoio e, assim, possibilitar a pessoa a atuar da melhor forma possível

A detecção precoce e o tratamento precoce são importantes. Quanto mais cedo for iniciado o tratamento, melhor será o desfecho. Os medicamentos antipsicóticos, a reabilitação e as atividades de apoio comunitário e a psicoterapia são os três componentes principais do tratamento.

Prestar informações aos familiares sobre os sintomas e tratamento da esquizofrenia (psicoeducação familiar) ajuda a prestar apoio a essas pessoas e ajuda os profissionais de saúde a manter contato com a pessoa com esquizofrenia. Cuidados especializados coordenados, que incluem treinar a resiliência, terapia pessoal familiar, lidar com disfunção cognitiva e emprego assistido, são um aspecto importante da recuperação psicossocial.

Os medicamentos antipsicóticos Medicamentos antipsicóticos A psicose diz respeito a sintomas, como delírios, alucinações, pensamento e fala desorganizados e comportamento motor bizarro e inadequado que indicam que a pessoa perdeu o contato com a realidade.

  • Leia mais podem ser eficazes para reduzir ou eliminar sintomas, como delírios, alucinações e pensamento desorganizado.
  • Logo que os sintomas imediatos tenham desaparecido, a utilização contínua dos medicamentos antipsicóticos reduz substancialmente a probabilidade de episódios futuros.
  • Entretanto, os medicamentos antipsicóticos causam efeitos colaterais significativos, que podem incluir sonolência, rigidez muscular, tremores, movimentos involuntários (por exemplo, discinesia tardia), ganho de peso e inquietação.

Os medicamentos antipsicóticos mais recentes (de segunda geração), que são receitados com mais frequência, têm menos probabilidade de causar rigidez muscular, tremores e discinesia tardia que os medicamentos antipsicóticos convencionais (de primeira geração).

  • Programas de reabilitação e apoio, como treinamento no trabalho, têm como objetivo ensinar às pessoas as habilidades de que precisam para viver em comunidade, em vez de uma instituição.
  • Essas habilidades permitem que as pessoas com esquizofrenia trabalhem, façam compras, cuidem de si mesmas, mantenham uma casa e relacionem-se com outras pessoas.

Serviços de apoio comunitário oferecem serviços que permitem que as pessoas com esquizofrenia vivam da forma mais independente possível. Esses serviços incluem um apartamento supervisionado ou uma casa compartilhada onde um membro da equipe está presente para garantir que uma pessoa com esquizofrenia receba os medicamentos receitados ou para ajudar as pessoas com as finanças.

  • Ou um membro da equipe pode visitar a casa da pessoa periodicamente.
  • A hospitalização pode ser necessária durante recaídas graves e a hospitalização involuntária pode ser necessária se a pessoa indicar perigo para si própria ou para outros.
  • No entanto, o propósito geral é que a pessoa viva em comunidade.

Um pequeno número de pessoas com esquizofrenia é incapaz de viver de modo independente, ou porque elas têm sintomas graves e persistentes ou porque a farmacoterapia não foi eficaz. Essas pessoas necessitam de atenção contínua em um ambiente que seja seguro e de apoio.

  1. Grupos de apoio e de defesa como a Aliança Nacional em Doenças Mentais ( National Alliance on Mental Illness ) com frequência oferecem ajuda às famílias.
  2. Geralmente, a psicoterapia não reduz os sintomas da esquizofrenia.
  3. No entanto, a psicoterapia pode vir útil para estabelecer uma relação de colaboração entre as pessoas com esquizofrenia, seus familiares e o médico.

Desse modo, a pessoa consegue compreender e aprender a lidar com a doença, a tomar os medicamentos antipsicóticos de acordo com a receita médica e a lidar com situações estressantes que podem agravar a doença. Uma boa relação entre o terapeuta e o paciente é um fator determinante para que o tratamento seja eficaz.

  • Se a pessoa com esquizofrenia vive com sua família, é possível que seja oferecida psicoeducação a ela e a seus familiares.
  • Este tipo de formação presta às pessoas e seus familiares informações sobre o transtorno e como ele deve ser administrado, ensinando, por exemplo, maneiras de se lidar com a situação.

Este tipo de formação pode ajudar a evitar a ocorrência de recidiva.

National Alliance on Mental Illness (NAMI), esquizofrenia : A NAMI promove continuamente a conscientização sobre a esquizofrenia, bem como iniciativas educacionais e de defesa para apoiar as pessoas que a têm e oferece serviços de resposta a crises (incluindo uma linha direta de ajuda) para ajudar quem precisa.

O que uma pessoa esquizofrênica é capaz de fazer?

Como reconhecer um surto de esquizofrenia Um surto de esquizofrenia provoca delírios e alucinações. Tratamento é fundamental para prevenir. Veja como agir. A é um transtorno psiquiátrico marcado principalmente pela perda de conexão com a realidade. Durante um surto psicótico ocasionado pelo transtorno, os sintomas predominantes são os chamados sintomas positivos, que não têm esse nome por serem “bons”, mas sim porque levam a pessoa para um polo mais “para cima”, para o lado oposto de um estado depressivo.

Eles incluem principalmente delírios e alucinações. A pessoa começa a falar coisas sem sentido, incompatíveis com a realidade. É comum ela acreditar fortemente que está sendo perseguida por alguém. Também é muito comum que ela ouça vozes e sinta que está sendo observada. Seu comportamento começa a mudar, seus pensamentos ficam desorganizados e desconexos e ela pode ficar agitada.

Ouça: Sintomas desse tipo caracterizam a fase aguda da doença, mas isso não significa que eles passam rapidamente. Sem tratamento, o surto pode durar semanas e até vários meses. Após saírem do surto, os pacientes podem apresentar sintomas residuais, que normalmente são os sintomas negativos: isolamento social, menor interação afetiva, retraimento e falta de vontade para atividades diversas.

A pessoa pode ficar um pouco apática, e alguns familiares podem chegar a pensar que ela é preguiçosa ou está desmotivada, quando, na verdade, esse é um estado relacionado ao seu transtorno. Apesar da estigmatização e de muita gente relacionar esquizofrenia a atos agressivos, os pacientes não são violentos.

O que pode ocorrer é, por exemplo, durante um episódio de delírio de perseguição muito intenso, o paciente agir para se defender da ameaça e ser agressivo nesse contexto. Mas isso é uma exceção. Às vezes o transtorno vem à tona quando uma pessoa com esquizofrenia está envolvida em algum crime que repercute na mídia, o que passa a falsa ideia de que os pacientes são agressivos.

Como age um esquizofrênico em crise?

A esquizofrenia simples geralmente está relacionada com transtornos de personalidade. Nesta condição sintomas de isolamento social, apatia e tristeza costumam ser mais frequentes do que as alucinações e delírios.

O que uma pessoa esquizofrênica vê?

Sintomas positivos – Alucinações e delírios são os principais sintomas positivos da esquizofrenia. As alucinações são percepções distorcidas e que não têm a ver com a realidade, logo a pessoa ouve vozes ou vê seres que não existem. Isso ocorre com frequência e ela acredita profundamente nisso.

É perigoso uma pessoa com esquizofrenia?

Ir para o conteúdo Esquizofrenia iconsultoria10ojf 2020-01-23T21:10:29-03:00 Os principais sintomas da esquizofrenia são: Delírios: A pessoa passa a acreditar que a realidade se apresenta de uma maneira diferente, suas ideias e pensamentos apresentam conteúdos que para ela são verdade, mas que não estão realmente acontecendo.

  1. Por exemplo, ela pode acreditar que está sendo perseguida, que está sendo filmada e, como consequência, que tem poderes especiais ou uma missão muito importante no mundo.
  2. Estas crenças são uma convicção para a pessoa e não se desfazem com nenhuma argumentação.
  3. Alucinações: Os cinco sentidos também ficam afetados.

A pessoa passa a ter percepções sem que haja um estímulo externo. Por exemplo, ouvir vozes que comentam o seu comportamento ou dão ordens, sem haver ninguém falando. Também pode sentir odores e sabores diferentes em alimentos saudáveis, ter visões de objetos que não existem, ou outras sensações táteis, como formigamento.

Alterações do Pensamento: Os pensamentos podem ficar confusos. A pessoa pode ter a sensação que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas, ou roubados ou que podem ser controlados. Pode acreditar também que pensamentos estranhos foram colocados em sua cabeça. Esta confusão dos pensamentos se expressa na forma como se comunica, aparentando dizer coisas sem sentido.

Perda da Vontade e Déficits Cognitivos: A pessoa passa a ter uma perda da vontade para realizar suas atividades. Em parte por não sentir prazer em realizá-las e em parte por dificuldades novas, como, por exemplo, relativas à memória ou devido à dificuldade para realizar tarefas corriqueiras de forma organizada.

  1. Alteração do Afeto: Há uma dificuldade em expressar os sentimentos e emoções, passando a impressão de que perdeu estas capacidades.
  2. Na realidade a pessoa continua tendo seus sentimentos e emoções e fica angustiada por não conseguir demonstrá-las.
  3. É como se as pessoas estivessem alheias ao que se passa à sua volta e a vida fosse um filme monótono em branco e preto.

Como se Diagnostica a Esquizofrenia? Não existe um exame laboratorial que seja capaz de identificar a esquizofrenia. O diagnóstico permanece inteiramente dependente do julgamento clínico médico, através de uma entrevista psiquiátrica cuidadosa com o paciente e seus familiares.

  • Como não existem sintomas específicos da esquizofrenia, os médicos se baseiam em critérios diagnósticos para estabelecer o diagnóstico.
  • No Brasil, utilizamos principalmente os critérios estabelecidos pela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da Organização Mundial da Saúde.
  • O diagnóstico da esquizofrenia pode levar algum tempo para ser efetuado.

É preciso que o médico seja cuidadoso e certifique-se de que não se trata de algum outro transtorno ou doença de base orgânica. Outras causas possíveis para os sintomas apresentados devem ser investigadas. É importante descartar outras doenças, pois às vezes os sintomas psicóticos ou confusionais podem ser motivados por outras condições.

  1. Além disso, o abuso de certas drogas pode provocar sintomas semelhantes ao da esquizofrenia.
  2. Às vezes, é difícil diferenciar uma doença mental de outra.
  3. Por exemplo, algumas pessoas com sintomas da esquizofrenia apresentam alterações de humor (depressão ou euforia) muito marcantes, sendo importante determinar se a pessoa tem mesmo esquizofrenia ou um transtorno depressivo ou bipolar.

Algumas pessoas cujos sintomas não podem ser claramente categorizados, ou que apresentam sintomas mistos (psicóticos e de alteração de humor), podem ser diagnosticadas como tendo um “transtorno esquizoafetivo”. O tratamento da esquizofrenia idealmente deve envolver vários profissionais trabalhando em equipe.

É muito importante assegurar que o paciente faça o tratamento. Muitos pacientes abandonam o tratamento devido às idéias de perseguição, à falta de consciência sobre a doença e ao desconforto com os efeitos colaterais das medicações. Outro fator que contribui para o abandono do tratamento é a desesperança, a vergonha e o preconceito decorrentes do estigma associado à doença.

Tratamento Medicamentoso A medicação é o alicerce principal do tratamento da esquizofrenia. Ela tanto controla a crise como ajuda a prevenir recaídas. A medicação prescrita atua nos sintomas, por isso os medicamentos mais importantes para o tratamento da esquizofrenia são os antipsicóticos (antes chamados de neurolépticos).

  • Antipsicóticos Típicos ou de primeira geração Os antipsicóticos “típicos”, ou de primeira geração, são medicações desenvolvidas entre 1955 e 1980.
  • Eles atuam principalmente sobre os chamados “sintomas positivos” (alucinações e delírios).
  • Os antipsicóticos de primeira geração mais comuns são: Haloperidol, Clopromazina, Trifluoperazina e Pimozida.

Antipsicóticos Atípicos ou de segunda geração São os medicamentos desenvolvidos após 1990. É um grupo heterogêneo de drogas antipsicóticas que produzem pouco ou nenhum sintoma extrapiramidal como efeito colateral. Parece que também atuam nos sintomas negativos, melhorando o retraimento social e o embotamento afetivo.

Isto ocorre porque eles são mais seletivos – agem na parte do cérebro que causa os sintomas psicóticos e não na parte que controla os movimentos musculares normais. Como estas medicações produzem menos efeitos colaterais (abre para texto sobre efeitos colaterais – em desenvolvimento), parecem que melhoram a adesão do paciente ao tratamento.

Com isto, previnem as recaídas melhorando o prognóstico da doença. Olanzapina, Clozapina, Risperidona, Quetiapina, Aripiprazol e Ziprazidona, são os antipsicóticos atípicos mais comumente em uso no Brasil. O tratamento medicamentoso da esquizofrenia tem duas fases importantes e distintas: aguda e manutenção ou profilática.

Fase Aguda Envolve a tentativa de aliviar os delírios, alucinações, alterações formais do pensamento e do comportamento. Após a remissão dos sintomas, diminui-se a dose e avalia-se a necessidade de tratamento de longo prazo com antipsicóticos. Se a medicação for suspensa, o médico deve estar atento a algum sinal de recaída e, em caso de nova crise psicótica, a medicação deve ser introduzida por tempo indefinido.

Fase de Manutenção A maioria das pessoas com esquizofrenia necessitarão de cuidados médicos e medicação pelo resto de suas vidas. As medicações antipsicóticas não curam a esquizofrenia, somente controlam os sintomas da doença. Ou seja, se o paciente deixar de tomar a medicação pode sofrer uma recaída.

  1. Algumas pessoas, mesmo tomando a medicação regularmente, podem ter uma recaída dos sintomas psicóticos.
  2. É muito importante que elas possam reconhecer que estes estão voltando, e procurar ajuda imediatamente.
  3. Antes do aparecimento de sintomas como delírios ou alucinações, é comum aparecerem sintomas menos específicos como irritabilidade, insônia e depressão.
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Os familiares devem estar atentos a mudanças sutis que possam ocorrer com seu familiar doente, pois a intervenção médica precoce pode impedir a recaída. (link para o texto sobre reconhecendo sinais de recaída na seção de APOIO a familiares) Enquanto esta necessidade de tratamento por longo tempo é bem reconhecida pelo médico, isto freqüentemente não é bem aceito pelo paciente.

  • Por essa razão, eles podem ser inconstantes em relação à medicação.
  • Interrompem porque se sentem bem e não vêem motivo para continuar tomando o remédio, já que não se sentem doentes.
  • Muitas vezes também interrompem a medicação porque os efeitos colaterais (informações sobre efeitos colaterais) são muito desagradáveis.

Em alguns casos, a introdução dos antipsicóticos de ação prolongada, de uso injetável, é uma alternativa para possibilitar maior adesão destes portadores ao tratamento. Hospitalização Uma pessoa não deve ser necessariamente hospitalizada porque tem esquizofrenia.

Ela pode e deve ser tratada em outros locais tais como hospitais-dia, ambulatórios e consultórios particulares. A evolução da doença pode ser melhor se as perdas e a desarticulação social, que resultam da internação, forem evitadas. Acompanhamento A possibilidade de tratar os portadores na comunidade fez com que os familiares se tornassem os principais envolvidos em seu cuidado.

Embora a internação seja hoje uma opção de tratamento menos freqüente e, quando necessária, mais breve, os programas e serviços de tratamento na comunidade são ainda bastante inadequados ou insuficientes. Com isso, muitos portadores recebem apenas o tratamento médico, ficando para a família a tarefa de encontrar maneiras de ajudar na sua recuperação.

  1. Muitos não atingem uma melhor adaptação por falta de acesso aos tratamentos psicossociais,
  2. Os tratamentos psicossociais são importantes por duas razões principais: Primeiro, porque as medicações têm um impacto limitado na recuperação do funcionamento social; e segundo, porque uma vez estabilizado, o portador provavelmente precisará de ajuda para lidar com as mudanças na sua vida.

De maneira geral, os portadores precisam de ajuda para voltar a estudar ou trabalhar, para organizar atividades da vida diária, e às vezes até para seu auto-cuidado. O que são os Tratamentos Psicossociais? Os tratamentos psicossociais são vários tipos de intervenções destinadas a melhorar a qualidade de vida dos portadores e de seus familiares, através de intervenções terapêuticas e de apoio que visam a recuperação do funcionamento social.

As intervenções psicossosiais devem oferecer informação, apoio e terapia através de vários tipos de serviços e técnicas, tais como: psicoterapia individual ou em grupo, terapia ocupacional, grupos de convivência, suporte vocacional, programas de trabalho e moradia assistidos, intervenções familiares.

Assim como a medicação, o tipo de tratamento psicossocial deve ser indicado de acordo com as necessidades do indivíduo. Esta necessidade depende da fase da doença, do paciente, de sua condição familiar e de sua moradia. A palavra estigma tem origem grega e significa marcar, pontuar.

  1. Os gregos marcavam o corpo de pessoas quando buscavam evidenciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre seu status moral e assim possibilitavam que ela fosse facilmente identificada e evitada.
  2. Um estigma é na realidade um tipo especial de relação entre um atributo da pessoa e um estereótipo negativo e acaba sendo visto como algo que a define mais do que um rótulo a ela aplicado.

O estigma está relacionado a conhecimentos insuficientes ou inadequados (estereótipos), que leva a preconceitos (pressupostos negativos), à discriminação (comportamentos de rejeição) e ao distanciamento social da pessoa estigmatizada. Estudos realizados desde os anos 1950 demonstram que as pessoas em geral apresentam grande desconhecimento sobre as doenças mentais e uma reação negativa diante dos doentes mentais, considerando-os “relativamente perigosos, sujos, imprevisíveis e sem valor”.

  • Essa percepção acaba por provocar sentimentos de “medo, desconfiança e aversão” pelos portadores de doenças mentais.
  • O processo de desinstitucionalização dos doentes mentais – fechando hospitais psiquiátricos e abrindo serviços comunitários e residências terapêuticas – infelizmente tem contribuído para o crescimento do estigma na medida em que a população fica mais exposta a contatos com doentes mentais graves, sem o necessário incremento de informações sobre a real situação deles.

A ideia de que os doentes mentais são violentos é muitas vezes difundida pela mídia e não encontra respaldo na realidade na medida em que, na maioria das vezes, os portadores são mais vítimas de violência que perpetradores desta. Assim, o estigma relacionado às doenças mentais, além de associar-se a uma visão estereotipada de imprevisibilidade e violência, associa-se também à negação de direitos humanos dos portadores, frequentemente contribui para sua exclusão social e os coloca em posição de desvantagem quando buscam emprego, moradia, estudo, direitos previdenciários e mesmo acesso a tratamento, e produz autoestigma e baixa autoestima, contribuindo para pior qualidade de vida.

Usualmente, o estigma e a discriminação em relação as pessoas com doenças mentais se estendem a família, amigos e mesmo a profissionais e serviços de saúde mental, observando-se uma discriminação orçamentária da saúde mental nas políticas de saúde pública. As estratégias para mudar atitudes estigmatizantes usualmente envolvem educação (informações sobre as doenças mentais e as pessoas com esquizofrenia) – que não se mostra duradoura e não necessariamente muda atitudes, contato por meio da interação direta de pessoas com esquizofrenia e protesto (buscando suprimir atitudes estigmatizadas, principalmente na mídia), sendo esta última a menos eficiente.

Mais recentemente, estratégias favorecedoras de empoderamento (empowerment) das pessoas com esquizofrenia têm sido preconizadas de forma a promover sua participação efetiva no planejamento terapêutico e na própria avaliação dos serviços de saúde mental.

  • Consequências Quando rotulamos alguém, não olhamos para o que essa pessoa realmente é ou sente.
  • Se nos referimos a alguém que tem um transtorno mental como “louco”, “esquizofrênico”, “leso” ou “noia”, esses termos são usados como rótulos e trazem mais sofrimento para estas pessoas.
  • O uso de rótulos negativos “marca” e desqualifica uma pessoa.

Esta marca é o que chamamos de estigma. As pessoas estigmatizadas passam a ser reconhecidas pelos aspectos “negativos” associados a esta marca, ou rótulo. O estigma é gerado pela desinformação e pelo preconceito e cria um círculo vicioso de discriminação e exclusão social, que perpetuam a desinformação e o preconceito.

O estigma e a discriminação tornam mais difícil para as pessoas que sofrem de algum transtorno mental reconhecer que tem algum problema e procurar apoio e tratamento. Por causa do estigma e da discriminação, as pessoas que sofrem de transtornos mentais são frequentemente tratadas com desrespeito, desconfiança ou medo. O estigma e a discriminação impedem as pessoas que tem problemas de saúde mental de trabalhar, estudar e de relacionar-se com os outros. A rejeição, a incompreensão e a negligência exercem um efeito negativo na pessoa, acarretando ou aumentando o autoestigma, imagem negativa que as pessoas com esquizofrenia desenvolvem a respeito de si. Estudos têm mostrado que o estigma é a influência mais negativa na vida das pessoas com algum transtorno mental A discriminação causa dano: destrói a autoestima, causa depressão e ansiedade, cria isolamento e exclusão social.

Por que as pessoas com esquizofrenia são estigmatizadas? Estas pessoas são estigmatizadas porque a família, os amigos e as pessoas em geral não entendem esta doença. A esquizofrenia não é resultado de uma fraqueza da pessoa, nem é causada por problemas familiares ou espirituais.

As pessoas com esquizofrenia não têm “dupla personalidade” e a maioria não é perigosa nem ataca os outros quando adequadamente tratadas. No entanto, o público em geral, e até mesmo alguns profissionais de saúde, tendem a manter uma imagem estereotipada de pessoas com esquizofrenia. Você pode ajudar a combater o estigma, desfazendo equívocos!! Colaboração: Prof.

Dr. Miguel Roberto Jorge O que é Psicose? A palavra “psicose” é usada para descrever condições que afetem a mente, na qual exista alguma perda de contato com a realidade, afetando os pensamentos, sentimentos e comportamentos do indivíduo e pode variar amplamente entre as pessoas.

  1. É uma experiência normal da condição humana e está presente nos distintos transtornos mentais.
  2. Quando alguém tem sintomas de psicose, sua condição é referida como episódio psicótico.
  3. Primeiro episódio” psicótico simplesmente significa que o indivíduo está vivenciando uma psicose pela primeira vez.
  4. Quem têm Psicose? Aproximadamente 3% de todos os indivíduos experimentam um episódio de psicose no período de sua vida.

A psicose afeta homens e mulheres igualmente e o primeiro episódio geralmente ocorre com pessoas jovens no final da adolescência e começo da vida adulta. Como se desenvolve uma Psicose? A psicose se desenvolver em quatro fases: 1. Fase Pré-mórbida – anterior à instalação do sintoma.2.

  • Pródromo – sintomas prematuros, frequentemente vagos e dificilmente notados, que podem incluir: redução da concentração, da atenção, da energia, da motivação, humor depressivo, alterações do sono, ansiedade, retraímento social e irritabilidade.3.
  • Aguda – sintomas propriamente psicóticos, incluindo delírios e alucinações.4.

Residual ou recuperação – a psicose é tratada e muitas pessoas se recuperam, sejam parcialmente ou completamente. Eu tenho um problema? O diagnóstico de um primeiro episódio psicótico na esquizofrenia é de fundamental importância, pois pode permitir uma intervenção médica em seu início e reverter o agravamento da doença.

Quando vários sintomas caracterizados pela mudança de pensamentos, sentimentos e comportamentos começam a ocorrer com alguma frequência, principalmente em uma pessoa jovem, deve servir de alerta. Esses sintomas devem ser avaliados em seu conjunto, pois não aparecem isolados. Eles também anunciam um provável surto ou crise psicótica.

Dentre eles podemos citar: • Dificuldade para dormir, alternância do dia pela noite, andar pela casa à noite e dormir demais. • Preocupações não habituais com ocultismos, esoterismo e religião. • Reações exageradas às reprovações dos parentes e amigos.

• Desejo de realizar viagens para lugares sem nenhuma ligação com a situação pessoal e sem propósitos específicos. • Incapacidade de expressar prazer, de chorar ou chorar demasiadamente. • Ter frequentemente risos imotivados. • Abuso de álcool ou drogas. • Deterioração no desempenho escolar e no trabalho.

• Auto-isolamento de amigos e família com pouco interesse em estabelecer um contato social. • Envolvimento com escrita excessiva ou desenhos infantis, sem um objetivo definido. • Deterioração da higiene pessoal. • Dificuldades com concentração, memória e atenção.

  • Pensamentos acelerados ou, ao contrário, muito lentos.
  • Discurso desconexo, vago e sem sentido.
  • Sentimentos de depressão, ansiedade, tensão, irritabilidade ou raiva.
  • Distúrbio auditivo ou visual, ouvindo sons ou vozes quando sozinho no quarto, ou vendo coisas que outros não podem ver.
  • Reclamação de estar sendo seguido ou monitorado.

• Pensamento de que tem poderes especiais ou é muito importante. • Gastar excessivas quantias de dinheiro impulsivamente sem recursos suficientes. • Energia aumentada com sentimentos de euforia. • Comportamento de ameaça ou agressão. Como enfrentar um diagnóstico de esquizofrenia? Você provavelmente ficaria chocado, confuso e profundamente triste.

  1. Isto porque esses transtornos são mal entendidos.
  2. Se é um filho com este diagnóstico, você pode também sentir-se culpado e se perguntar o que você e seu parceiro fizeram de errado.
  3. Doenças mentais sérias são transtornos do cérebro e não são causados pela forma como foram criados.
  4. Você não cria o transtorno, mas pode ter um papel significativo em auxiliar seu ente querido e obter melhores resultados no tratamento da doença.

Pesquisas demonstram que apoio familiar ativo pode ter um importante impacto no processo de recuperação. Aqui apresentamos algumas dicas que podem ser úteis. Eduque-se sobre o transtorno do seu ente querido. O contato com os conteúdos desenvolvidos para você aqui neste site é um bom começo.

  1. Participe de nossas atividades.
  2. Registre o histórico dos sintomas, tratamentos, medicações (incluindo dosagens) e informação de psiquiatras e outras pessoas de saúde mental.
  3. Seu filho pode não ser capaz de fazer isso sem a sua supervisão.
  4. Frequentemente é feita muita experimentação para achar a medicação ou combinação ou medicações que ajam melhor para uma pessoa em particular.

E, quando houver uma mudança de médico, haverá necessidade de apresentar todo o histórico do tratamento e evolução da doença. Às vezes as pessoas com sintomas psicóticos causados pela esquizofrenia são relutantes em buscar tratamento. Talvez acreditem que não há nada de errado, ou esperem que os sintomas vão embora sem ajuda.

  1. Podem estar preocupadas com o tratamento ou com o que as pessoas possam pensar ao assumir a doença pelo estigma provocado.
  2. Uma maior compreensão da doença, principalmente nos primeiros episódios, levou ao desenvolvimento de novas intervenções.
  3. Pessoas com esquizofrenia podem ser tratadas em sua comunidade, geralmente consultando um profissional em uma clínica de saúde mental local.

Visitas domiciliares por serviços de saúde mental estão disponíveis em alguns locais e, se a hospitalização é necessária, é geralmente apenas por um breve período. Esquizofrenia, como outras doenças, pode ser tratada com sucesso. A maioria das pessoas podem ter uma boa recuperação.

Mas como isso pode ocorrer? O processo de recuperação vai variar de pessoa para pessoa em termos de duração e grau de melhoria dos sintomas. Algumas vão se recuperar muito rapidamente e vão estar prontas para voltar à sua vida normal e assumir suas responsabilidades anteriores. Outras pessoas vão precisar de tempo para responder ao tratamento e para voltar gradualmente à sua vida anterior.

Outras podem ter seus sintomas agravados e exigir um tempo muito maior e uma mudança mais profunda na sua vida. A recuperação desde o primeiro episódio está diretamente ligado com a rapidez com que é feito o diagnóstico e a agilidade da intervenção médica, na grande maioria dos casos medicamentosa.

Se os sintomas persistirem ou retornar, o processo de recuperação pode ser prolongado. Algumas pessoas experimentam um período difícil com duração de meses ou mesmo anos antes que os sintomas possam ser controlados. Uma vez que a psicose tenha respondido ao tratamento, problemas como diminuição da autoestima, depressão, transtornos de ansiedade, e comprometimento social precisam ser abordados durante a fase de recuperação.

Vejamos algumas estratégias que podem ajudar. Reconstruindo a autoestima Tal como outros elementos de recuperação, a reconstrução da auto-estima leva tempo, paciência e depende do apoio positivo de amigos e familiares, evitando julgamentos negativos com base nos comportamentos provocados pela doença, tais como: falta de vontade de trabalhar, estudar, relacionar-se socialmente, raciocínio confuso, visões, dentre outros.

  1. Muitas vezes as pessoas em recuperação são muito autocríticas, de modo que estratégias para fortalecer seus atributos positivos são muito importantes.
  2. Olhando para trás, reforçando suas realizações e talentos, podem ajudar a pessoa a ter uma visão mais realista de suas qualidades.
  3. Deve-se ter cuidado em avaliar se seu potencial anterior foi prejudicado, pois insistir em retomar atividades que não tem mais condições somente vai prejudicar sua recuperação.

Neste sentido deve-se ficar atento ao que diz o paciente e ouvir os conselhos dos profissionais de saúde. Estar com um grupo de pessoas que o apoiam podem promover a sociabilidade. Definir metas de curto prazo, que assentam em suas competências individuais e melhorar a tomada de decisão com as habilidades atuais, também são importantes para a recuperação.

  • Voltando a trabalhar É importante definir metas realistas para o retorno ao trabalho.
  • Muitas vezes pode haver um comprometimento de suas capacidades anteriores ou uma dificuldade de aceitar uma disciplina no trabalho.
  • Esta avaliação é fundamental para que o trabalho não se torne um fator desencadeador de nova crise.

Talvez retomar com tempo parcial seria uma forma de testar a sua readaptação. Para alguns, o trabalho voluntário é um bom primeiro passo. Para outros, deverá haver a busca de outro tipo de trabalho que se adapte às novas circunstâncias. Conhecimento ajuda a reduzir o estigma.

Educar o empregador e o pessoal sobre a experiência e a recuperação é importante. Praticando o que dizer e ter um atestado médico vai ajudar, ou talvez ter um profissional especializado para reinseri-lo no universo do trabalho seria o caminho certo a seguir. Voltando à escola Os mesmos cuidados devem ser tomados quando se propõe o retorno à escola.

Rever anteriores registros acadêmicos e realizações é um ponto de partida. Escolhendo aulas e atividades que aprimoram as habilidades da pessoa e interesses também pode ser uma maneira de ajudar a facilitar o processo. A família ou amigo próximo deve se reunir com o orientador acadêmico para discutir a recuperação, bem como informá-lo sobre a doença e como ela afetou as habilidades da pessoa.

  1. Tendo um relato por escrito do médico, ou talvez abrindo a possibilidade de um contato do professor/orientador para falar diretamente com o profissional de saúde que acompanhou o paciente pode ser uma boa estratégia.
  2. Reinserção social Relações sociais desempenham um papel importante na recuperação e manutenção da saúde e bem-estar.

Infelizmente, os indivíduos afetados pela esquizofrenia muitas vezes retraem e tornam-se socialmente isolados. Algumas vezes a própria família isola-se também. É importante para a pessoa evitar a perda de vínculos nas relações sociais. Se a pessoa tem experimentado uma perda de contato com amigos e familiares, é importante tentar construir novas relações sociais e encontrar fontes de apoio social.

  • Estilo de vida para a recuperação Hábitos quotidianos são uma parte essencial da manutenção de uma boa saúde física e mental, pois podem diminuir os níveis de stress e ajudar a obter mais qualidade de vida.
  • Algumas maneiras de manter um estilo de vida saudável incluem a participação em atividades de recreação, a manutenção de um bom equilíbrio entre dieta e exercícios, dormir o suficiente todas as noites e se sentir seguro sobre a sexualidade.

Para uma pessoa com esquizofrenia ficar bem requer a participação ativa, prática e uma vontade de ouvir os outros. Algumas estratégias incluem: • estar ciente de sua capacidade de lidar com o stress e ser capaz de monitorar o seu próprio bem-estar; • estabelecer metas alcançáveis, incluindo estratégias específicas para lidar com a mudança, mantendo-se sociável e ter uma rede de apoio confiável; • manter regularmente as consultas com médicos e outros profissionais de saúde, assim como realizar exames médicos; • participar de atividades sociais positivas, de lazer e trabalho; • procurar a ajuda de um terapeuta e/ou participar de terapia de grupo ou de um grupo de autoajuda; • celebrar as conquistas e criar planos para o futuro.

O que acontece se uma pessoa com esquizofrenia não for tratada?

Esquizofrenia precisa de mais atenção, dizem especialistas em audiência na CAS Milena Galdino | 23/10/2019, 16h32 Especialistas defenderam nesta quarta-feira (23) na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) a aprovação do projeto de lei, que prevê um dia de conscientização e alerta para a esquizofrenia.

  • A doença atinge um milhão de brasileiros, mas não afeta apenas a qualidade de vida dos pacientes: toda a família precisa lidar com os sintomas da enfermidade.
  • É a mais cara entre as doenças mentais custeadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, em média, reduz em 15 anos a expectativa de vida do esquizofrênico.

A doença é lembrada internacionalmente em 24 de maio, dia em que o psiquiatra Philippe Pinel, empossado chefe de um sanatório de homens em Paris, contrariando o entendimento daquele tempo, removeu as algemas dos pacientes que ficavam presos às paredes da instituição.

  • O ato marcou uma nova era no tratamento psiquiátrico. Era 1793.
  • Segundo os especialistas convidados para a audiência pública, é importante combater com informação o preconceito que existe sobre a doença: entre os leigos, um misto de loucura e agressividade.
  • Na verdade, a esquizofrenia causa delírios, alucinações, embotamento afetivo (distanciamento), alogia (incapacidade de falar), abulia (falta de vontade), anedonia (falta de alegria).

Na parte neurológica, é responsável pela desorganização do pensamento e do comportamento e por prejuízos cognitivos (de memória, funções executivas e atenção). O paciente ainda sofre de alterações de humor, depressão ou exaltação e ansiedade. O professor Gustavo Doria, do Departamento de Medicina Forense e Psiquiatria da Universidade Federal do Paraná, explicou que a doença tem componente hereditário e aparece geralmente no início da vida adulta, no auge da produção laboral do indivíduo.

  • Os surtos, segundo ele, prejudicam o cérebro com perdas próximas a dez pontos no quociente de inteligência (QI).
  • O transtorno psiquiátrico traz prejuízos nas funções cognitivas, na percepção, no afeto, no comportamento e nas atividades sociais.
  • O professor Ary Gadelha, coordenador do Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo, reforçou que a doença afeta as regiões associativas do conhecimento no cérebro.

Por isso, quanto mais precoce a intervenção médica, maior a chance de sucesso no tratamento. — Se perdermos a janela de oportunidade, que é a intervenção logo após constatado o primeiro episódio psicótico, fica muito mais difícil tratar porque o cérebro começa a fase de prejuízos mais significativos.

De acordo com Gadelha, o período crítico é justamente após o primeiro episódio, geralmente quando o indivíduo deixa de trabalhar, isola-se e começa a perder o contato com as pessoas. O pesquisador destacou que os medicamentos são importantes para controlar os sintomas, mas viver com a doença requer terapias, exercício físico, emprego e remediação cognitiva.

Entre essas terapias, o destaque vai para a cognitivo-comportamental (TCC), de acordo com a psicóloga Marina Saraiva da Silva. Para ela, a abordagem é a mais usada no tratamento porque coloca o delírio num contexto que precisa ser discutido e compartilhado para construção e adaptação.

Qual a pior fase da esquizofrenia?

Fases – O curso da doença, em geral, é divido em 3 fases:

  • F ase pré-morbida : onde os indivíduos podem não manifestar sintomas ou podem ter competência social prejudicada, desorganização cognitiva leve ou distorção perceptiva, diminuição da capacidade de sentir prazer (anedonia) e outras deficiências gerais de lidar com situações. Tais traços podem ser leves e reconhecíveis apenas retrospectivamente ou serem mais evidentes, com comprometimento dos funcionamentos social, acadêmico e vocacional.
  • Fase de sintomas psicóticos : os sintomas são ativos e muitas vezes são piores.
  • Fase crônica: os períodos sintomáticos podem ser episódicos (com exacerbações e remissões identificáveis) ou contínuos; os deficits funcionais tendem a piorar. Há variabilidade considerável; a incapacidade pode estabilizar ou mesmo diminuir.

Como a família deve agir com a esquizofrenia?

Como lidar com um parente esquizofrênico? Se convive com uma pessoa diagnosticada com Esquizofrenia, este texto é para você. Na verdade, foi escrito para ajudar a melhorar as relações entre o paciente com os familiares e cuidadores, sem a pretensão de minimizar os desafios diários dessa convivência.

  • Conhecer os meandros da doença é a base para saber lidar melhor com o parente esquizofrênico no dia a dia.
  • Por isso, o familiar que tiver maior clareza sobre a esquizofrenia deve compartilhar seu conhecimento com os demais, sejam da família, sejam amigos que habitualmente têm contato com o doente, assim como com o cuidador contratado, se houver.

Ao entender que o esquizofrênico tem um desequilíbrio em circuitos cerebrais e, por isso, não tem controle de algumas reações e comportamentos, fica mais fácil derrubar tabus e preconceitos e aceitar situações que venham a ocorrer. É preciso compreender que o esquizofrênico tem seu próprio modo de pensar, de sentir e de se comportar socialmente.

  1. Seu particular ponto de vista é diferente de um indivíduo saudável.
  2. Aí está a justificativa por ele ser, geralmente, indiferente no aspecto afetivo e por apresentar tendência ao isolamento social.
  3. Tentar se colocar frequentemente no lugar do parente esquizofrênico, com todas as suas particularidades, ajuda a saber a melhor forma de agir e de falar com ele, evitando momentos de estresse, o desgaste da relação e até reações não desejadas.

“O amor e o apoio da família são ingredientes importantes para o tratamento e a recuperação da pessoa que sofre de esquizofrenia. Se alguém próximo a você sofre desta doença, você pode fazer uma grande diferença na vida desta pessoa, ajudando-a a encontrar o tratamento certo, a lidar melhor com os sintomas e a pavimentar seu longo caminho da recuperação”, destacou num artigo de sua autoria o Dr.

Aceite a doença e suas dificuldades.Seja realista em relação ao que você espera da pessoa que tem Esquizofrenia e de você próprio.Tenha senso de humor.Procure fazer o melhor para ajudar seu parente a se sentir bem e aproveitar a vida, preste a mesma atenção às suas necessidades e mantenha a esperança.

O que evitar? Algumas atitudes diante do esquizofrênico devem ser evitadas, para não provocar reações indesejadas. O que devemos evitar:

Falar com tom de voz agressivo ou severo vai afastar ainda mais o ente querido.Criticar, recriminar, repreender ou debochar do parente esquizofrênico pode desencadear um estado de estresse.Super proteger e tomar à frente de todas as atividades e tarefas podam a autonomia e capacidade do doente, que acaba desistindo de ter iniciativa.Desorganização e falta de rotina prejudicam a compreensão do parente com Esquizofrenia, o que impacta negativamente a convivência com os outros e a qualidade de vida.Deixar de dar atenção ao doente, assim como não elogiar as iniciativas, reduz os laços afetivos.Dedicar-se 100% ao ente querido com a doença, deixando de lado seu próprio bem-estar, pode prejudicar a saúde mental de quem cuida do esquizofrênico. O cuidador pode se sentir mais estressado, ter noites mal dormidas e menos disposição.

Além de tudo isso, não se deve abrir mão de apoio. Seja de parentes que façam um revezamento nos cuidados, seja de profissionais como psicólogos, que podem ajudar a reestruturar as ações junto ao doente para colher benefícios com a convivência. E não hesite em participar de grupos de apoio, que costumam trazer alívio ao saber que não se está sozinho nessa jornada.

Quais os sintomas mais graves da esquizofrenia?

Sintomas de esquizofrenia e 5 tipos que deixaram de existir Se você já é leitor do nosso blog, sabe que estamos participando da campanha, não é? Por isso dedicamos boa parte do nosso conteúdo para falar sobre saúde mental e as patologias associadas ao tema.

Se você é novo por aqui, seja bem-vindo! Hoje falaremos sobre os sintomas de esquizofrenia, as opções de tratamento, e também vamos entender melhor a manifestação da doença, que até 2013 era classificada em tipos. Vamos começar com a definição: Esquizofrenia é uma doença que afeta a capacidade de uma pessoa distinguir o real do imaginário.

Por causa disso, ela pode vivenciar mudanças na sua forma de pensar e sentir, o que prejudica suas relações afetivas e seu desempenho profissional e social. ¹ Nas manifestações mais graves dos sintomas de esquizofrenia é comum que haja alucinações, delírios, confusão mental e perturbações psíquicas, as chamadas psicoses.

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O indivíduo pode ter a sensação de que seus pensamentos não lhe pertencem, que há algo ou alguém controlando sua mente. O tipo e intensidade dos sintomas podem variar muito, mas eles costumam aumentar conforme a doença avança. Isso acontece especialmente quando não há tratamento adequado. No começo, por exemplo, a pessoa ainda pode apresentar algumas dúvidas em relação aos seus delírios, mas com o passar do tempo ela se convence totalmente e mesmo o argumento mais lógico não faz sentido para ela.

² Por tudo isso, a esquizofrenia é uma doença que traz muito sofrimento para a pessoa, sua família e amigos. O paciente vai perdendo a vontade de realizar atividades do dia a dia e tem dificuldade de expressar os sentimentos e emoções, dando a impressão de que perdeu essa capacidade.

  • Diferente do que a maioria imagina, os sintomas de esquizofrenia não acompanham a pessoa o tempo todo, eles aparecem em crises agudas, seguidas de períodos sem qualquer alteração de comportamento.
  • A enfermidade não tem cura: é um transtorno mental crônico, mas que pode e deve ser tratado.
  • Quanto antes for iniciado o tratamento melhor será sua qualidade de vida, e é fundamental que o paciente mantenha o acompanhamento profissional ao longo de toda a sua vida.1,2 Três palavrinhas que você irá encontrar muitas vezes durante essa leitura: psicose, delírios e alucinações.

Isso porque o trio protagoniza a maioria dos sintomas de esquizofrenia. Por isso, achamos importante esclarecer o que cada um desses termos significa. Entenda: O termo psicose define o comprometimento do funcionamento mental padrão, onde o indivíduo perde a capacidade de discernir o que é real do que é imaginário.

Ela se manifesta por meio dos delírios, alucinações, confusão e comprometimento da memória, Outros dois significados foram atribuídos ao termo com o passar dos anos. Na utilização psiquiátrica mais comum do termo, “psicótico” pode significar também um comprometimento grave do funcionamento social e pessoal, caracterizado por afastamento social e incapacidade para desempenhar as tarefas e papéis habituais.

A questão do “nome” é um pouco controversa, mesmo entre os profissionais da área da saúde, mas é importante dizer que o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) não reconhece a psicose como uma doença isolada, portanto, sob esse ponto de vista, a psicose faz parte da esquizofrenia. Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica Fonte: Envato – Foto de stevanovicigor Os delírios são uma forma de manifestação das psicoses que acompanham a esquizofrenia. A pessoa pode acreditar que tem poderes especiais, pode sentir que tudo que acontece externamente é criado com o único intuito de incomodá-la ou controlá-la.

Por exemplo, ao ouvir uma música, ou ver um programa de televisão ela pode achar que tudo que se passa ali é uma mensagem para ela. A sensação de que não controla a própria mente e falsa ideia de perseguição estão entre os principais tipos de delírios. Eles causam sentimentos de medo e desconfiança constante, são angustiantes e trazem muito sofrimento para o indivíduo, ao mesmo tempo em que prejudicam a sua capacidade de confiar nas pessoas (até mesmo nas mais íntimas), ter relacionamentos profissionais e sociais saudáveis e fazer novas amizades.3,5 As alucinações têm a ver com as alterações sensoriais e a capacidade de perceber a realidade como ela é.

O indivíduo ouve vozes, vê coisas que não existem, sente cheiros esquisitos e pode ter sensações tácteis desagradáveis. São percepções que acontecem na ausência de um estímulo externo, mas com as qualidades de uma verdadeira percepção de coisas que não estão realmente ali.

Existem alucinações ser auditivas, visuais, táteis, olfativas, gustativas ou uma combinação de todas. As auditivas são as mais comuns e podem ocorrer na forma de barulhos, músicas ou mais frequentemente como vozes. Estas vozes podem ser sussurradas, ou claras e distintas, podem falar entre si ou ser uma única voz.

Podem comentar o comportamento da pessoa e às vezes podem dar ordens. As alucinações visuais levam a ver distorções de imagens ou aparecimento de pessoas e coisas que só ela vê, podendo estabelecer contato e diálogo com essas pessoas e coisas inexistentes. Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica Fonte: Envato – Foto de vladans Os sintomas de esquizofrenia podem ser divididos em 2 categorias: sintomas negativos, que refletem uma perda ou diminuição das funções normais, e sintomas positivos, que, ao contrário do que possa parecer, não são bons ou desejáveis, apenas são chamados assim porque acrescentam ou adicionam algo nas funções do indivíduo.

  • Alucinações: Como explicamos agora a pouco, estes sintomas de esquizofrenia fazem com que as pessoas ouçam, vejam ou sintam coisas que ninguém mais está percebendo.
  • Os sintomas auditivos são mais comuns.
  • A s vozes em suas cabeças podem lhes dizer o que fazer, ou dizer coisas ruins.
  • Essas vozes também podem falar umas com as outras.

Delírios: São as crenças que parecem estranhas para a maioria das pessoas, mas que os esquizofrênicos não conseguem perceber. Elas podem achar que alguém está tentando controlar seus cérebros através de suas TVs ou que a polícia está lá fora para pegá-las.

A pessoa com esquizofrenia pode ter delírios de grandeza, acreditando que é outra pessoa ou que têm superpoderes. Pensamentos e fala confusos: Pessoas com esquizofrenia podem ter dificuldade em organizar seus pensamentos. Elas podem não ser capazes de acompanhar um diálogo e parecerem distraídas. Quando elas falam, suas palavras podem sair confusas, sem muita coerência ou mesmo não fazer qualquer sentido.

Elas também podem ter problemas de concentração, como por exemplo, não serem capazes de acompanhar uma história ou perder a noção do que está acontecendo em um programa de TV que estão assistindo. Movimentos diferentes: São os sintomas de esquizofrenia que acometem o corpo. Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica Fonte: Envato – Foto de twenty20photos Os sintomas negativos de esquizofrenia incluem principalmente a falta de interesse em realizar as atividades que eram desempenhadas sem maiores problemas. Estes sintomas podem ser difíceis de detectar, especialmente pessoas com quadro anterior de depressão, pois estes são sinais que já estavam estabelecidos.

  • Os adolescentes também passam por esse desafio, já que é natural que eles tenham grandes oscilações emocionais.
  • Emoção: Uma pessoa com esquizofrenia pode parecer que tem um problema na fala.
  • Ela pode não ser muito averta ao diálogo e ter dificuldades em demonstrar seus sentimentos, em grande parte por conta da desmotivação ou desconfiança que sentem.

Quando falam, a voz pode soar plana, como se não tivesse emoções. Os médicos chamam isso de ” afeto plano “. Retirada: Alguém que tem esquizofrenia pode parar de fazer planos com você ou se tornar bastante isolada. E pode ser um grande desafio conseguir respostas até para situações simples do dia-a-dia. Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica Fonte: Envato – Foto de photocreo

  • Já comentamos que o DSM-5 redefiniu o conceito de psicose. Outra importante mudança trazida pelo manual foi o abandono da divisão da esquizofrenia em subtipos, anteriormente classificados como:
  • Com predomínio de alucinações e delírios.
  • Também conhecida como hebefrênica, com predominante pensamento e discurso desconexo.
  • Onde o paciente apresenta mais alterações posturais, com posições bizarras mantidas por longos períodos e resistência passiva e ativa a tentativas de mudar a posição do indivíduo.

Quando os sintomas de esquizofrenia permaneciam de maneira discreta após a remissão do transtorno. Como se de um quadro inicial restasse uma espécie de quadro tardio, nesse caso os sintomas negativos eram predominantes. Era atribuída à pacientes que não se enquadravam perfeitamente em um dos tipos de esquizofrenia estabelecidos, no entanto, apresentavam alguns ou uma soma dos sintomas característicos das manifestações da doença.

  1. A justificativa para a retirada dos tipos de esquizofrenia como maneira de classificar o transtorno é porque era comum os quadros em que os sintomas dos subtipos apareciam associados ou se alternavam ao longo da vida.
  2. Isso demonstrava pouca validade científica na separação e não refletia diferenças quanto ao curso da doença ou resposta ao tratamento.

Além disso, a alteração também levou em conta que muitos estudos não observaram diferenças na evolução e no tratamento dos subtipos. Essa decisão gerou grande polêmica na comunidade médica e científica, dividindo a opinião de especialistas. O texto recebeu críticas de profissionais renomados como é o caso do psiquiatra americano Allen Frances que coordenou a elaboração do DSM-4.

  • Os autores que contestam a retirada desta divisão alegam que há sim pesquisas que mostram várias distinções entre os subgrupos.
  • Eles também defendem que possivelmente, com o refinamento da tecnologia dos estudos, as diferenças entre seus sintomas se tornariam mais claras e fáceis de identificar.
  • Por outro lado, os autores da atual versão apontam que as modificações realizadas foram baseadas na melhor evidência científica disponível.

Eles também esclarecem que os critérios diagnósticos foram exaustivamente avaliados em estudos de campo com o objetivo de verificar a utilidade, validade e confiabilidade de cada um deles, assim como sintomas de esquizofrenia que provocavam dúvidas foram trabalhados de forma mais precisa.8,9 Não existe um exame que seja capaz de identificar a esquizofrenia.

  • Por isso o diagnóstico permanece inteiramente dependente da avaliação clínica do médico.
  • Ele faz uma investigação psiquiátrica cuidadosa com o paciente e seus familiares.
  • Como os sintomas de esquizofrenia podem variar e serem confundidos com outros transtornos mentais e distúrbios psicóticos, os médicos se baseiam nos critérios estabelecidos pela CID-10 (Classificação Internacional de Doenças) da Organização Mundial da Saúde e no DSM-5, que já citamos por aqui.

O diagnóstico da esquizofrenia pode levar algum tempo para ser efetuado, É preciso que o médico descartes outros possíveis transtornos ou doenças de base orgânica. Outras causas possíveis para os sintomas apresentados devem ser investigadas antes de fechar o diagnóstico. Qual O Comportamento De Uma Pessoa EsquizofrNica Fonte: Freepik O tratamento da esquizofrenia idealmente deve envolver vários profissionais trabalhando em equipe. É muito importante assegurar que o paciente faça o tratamento. Muitos pacientes abandonam o tratamento devido às ideias de perseguição, à falta de consciência sobre a doença e ao desconforto com os efeitos colaterais das medicações.

Outro fator que contribui para o abandono do tratamento é a desesperança, a vergonha e o preconceito decorrentes do estigma associado à doença. A medicação é o alicerce principal do tratamento da esquizofrenia. Os remédios ajudam a controlar e a prevenir recaídas. A medicação prescrita atua nos sintomas, pois a esquizofrenia ainda não tem cura.

Embora ainda não haja cura para esquizofrenia, o tratamento é bastante promissor. Quando o paciente recebe o tratamento adequado, as crises tendem a se tornar mais suaves, mais curtas e as fases sem manifestação de sintomas duram mais tempo, Muitas vezes o paciente leva anos até que surja outra crise, período em que consegue assumir novamente o controle de sua vida.2

  1. Por isso se você identificou alguns dos sintomas descritos neste texto, seja em si mesmo, ou em alguém próximo, procure orientação médica.
  2. Colaborou neste artigo: Dr. Michel Haddad
  3. CRM-SP 145096 / Especialidade: Psiquiatria

: Sintomas de esquizofrenia e 5 tipos que deixaram de existir

Como é a voz da esquizofrenia?

Diferenças na voz – Os resultados mostraram diferenças na entonação de voz entre indivíduos com e sem esquizofrenia. Ana Cristina explica que as pessoas com esquizofrenia apresentaram pouca variação de simetria e dispersão na entonação da fala, ou seja, elas expressavam suas emoções pela voz de forma menos acentuada.

  1. Os participantes com esquizofrenia se emocionavam mais, choravam mais.
  2. Quando contavam algo engraçado davam muita risada, por exemplo, o que nos participantes sem transtorno mental não acontecia”, conta.
  3. Por outro lado, as pessoas sem transtorno mental percebiam o tipo de relação estabelecida na entrevista e usavam mais elementos emocionais e afetivos na fala.

Por isso, os gráficos de simetria e dispersão da voz apresentaram mais variações.

Qual exame é feito para saber se a pessoa tem esquizofrenia?

Exame de sangue permite diagnosticar esquizofrenia e bipolaridade Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Metodologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros permite diagnosticar, com base em um único exame de sangue, duas doenças psiquiátricas com sintomas semelhantes: a esquizofrenia e o transtorno bipolar.

Atualmente, o diagnóstico desses distúrbios é baseado na análise clínica. No entanto, o processo pode levar anos e tem um alto grau de subjetividade, pois depende do olhar do psiquiatra e também da capacidade do paciente em relatar sintomas. O exame laboratorial, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), é o primeiro capaz de diferenciar esses dois transtornos por meio da análise de alterações bioquímicas e moleculares envolvidas nas patologias.

A inovação, já patenteada, foi descrita no, “É complicado diferenciar duas enfermidades que compartilham sintomas tão parecidos por meio de exames clínicos. Com o exame laboratorial é possível identificar padrões no soro sanguíneo e, assim, diferenciar casos de esquizofrenia e bipolaridade de modo preciso, o que melhora o prognóstico dos pacientes”, diz, professora no Departamento de Farmacologia da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora do estudo,

Quais são os 7 tipos de esquizofrenia?

De acordo com o Código Internacional de Doenças (CID-10), os tipos de esquizofrenia descritas são: a esquizofrenia paranóide, hebefrênica, catatônica, indiferenciada, residual, simples, não especificada e outras esquizofrenias.

Como agir com pessoa esquizofrênica?

A esquizofrenia é um transtorno mental que atinge aproximadamente 1% da população mundial, sendo caracterizada, principalmente, por delírios, alucinações e mudanças de comportamento e na percepção. No início do surgimento dos sintomas, o indivíduo se apresenta apático, com maior vulnerabilidade ao estresse e às decepções ante a vida.

  1. Essa forma de reconhecer o mundo ao seu redor faz com que, cada vez mais, o paciente mude seu comportamento, mas sem que isso seja claro para ele.
  2. Alucinações auditivas, com vozes muitas vezes imperativas ou mesmo destrutivas, também ocorrem.
  3. Ele passa a acreditar que está fazendo parte de um complô, suas ideias se tornam confusas, e as pessoas de sua convivência percebem que há algo errado, e nem sempre sabem como agir de forma que, de fato, o ajude.

Assim, não é somente o esquizofrênico que sofre, mas também aqueles que convivem com ele, principalmente os familiares. Sentimento de culpa, impotência, ansiedade, vergonha, medo, amargura, negação, cansaço, esgotamento e abuso do álcool são alguns sentimentos e comportamentos que podem permear a vida destas pessoas, caso não recebam as devidas orientações.

  1. Tal quadro pode agravar ainda mais a situação do paciente, já que este tende a ser dependente das outras pessoas, sendo estas as que convivem mais diretamente com ele.
  2. Grupos de apoio à família e/ou ao doente são interessantes por propiciarem a troca de informações.
  3. Estes auxiliam as pessoas a perceber o distúrbio de forma realista, reconhecendo que, estando bem, e não colocando a doença de seu ente como o centro de sua vida, melhores são as chances de todos serem beneficiados.

Se informar, refletir e reavaliar situações e atitudes, de forma frequente, são exercícios que deverão ser considerados. Dialogar de forma franca, evitar internações (exceto em casos de surtos ou crises agudas), não minimizar os medos e alucinações da pessoa, incentivar sua independência e socialização, não esperar nem cobrar metas irreais e garantir o tratamento medicamentoso e psicoterápico são igualmente importantes.

Os familiares e amigos também devem se lembrar que, apesar de existirem diversas linhas de tratamentos a estas pessoas, a esquizofrenia não é curável; nem sempre o agravamento dos sintomas tem relação direta com os esforços das pessoas próximas; e que, quando tratada, a pessoa não apresenta riscos para a sociedade e pode, em muitos casos, desenvolver atividades normalmente.

Não pare agora. Tem mais depois da publicidade 😉 Por Mariana Araguaia Graduada em Biologia

Como entender a mente de um esquizofrênico?

A esquizofrenia é uma doença mental, em que o sujeito pode confundir realidade com imaginário. Os olhos da mente de um esquizofrênico podem estar repletos de ilusões, pensamentos mágicos, superstições, mas também ansiedade, irritabilidade e um mal estar permanente, chamado disforia.

Quantos anos uma pessoa com esquizofrenia pode viver?

Estima-se que a expectativa de vida nesta população seja de cerca de 20 anos a menos que a da população em geral. No entanto, sabe-se que o tratamento precoce e contínuo da esquizofrenia pode desacelerar esse processo de envelhecimento.

Porque a esquizofrenia é uma doença tão grave?

Considerada uma doença grave, a esquizofrenia afeta cerca de 100 milhões de pessoas, o que corresponde a 1% da população mundial. No Brasil, mais de 2,5 milhões de pessoas sofrem com a doença e apresentam algum transtorno mental grave ligado à esquizofrenia,

  1. Esse transtorno é também uma doença crônica, pois acaba por afetar seriamente o cérebro por meio de diversas desestruturações psíquicas.
  2. Com isso, a pessoa passa a apresentar comportamentos, relacionados exclusivamente com suas emoções e sentimentos, que não condizem com a realidade.
  3. Por ser uma doença rara, muitas vezes torna-se difícil entender a sua existência.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a esquizofrenia está entre as três principais causas da perda de qualidade de vida entre jovens e adultos. Saiba mais detalhes sobre a esquizofrenia e entenda como identificá-la. Saiba quais são seus sintomas, suas manifestações e consequências, bem como seus tratamentos e modos de prevenção.

É possível uma pessoa com esquizofrenia ter uma vida normal?

Assim como as causas e fatores de risco ainda são incertos, ainda não existe uma cura definida para esse transtorno mental. No entanto, quando há um diagnóstico, acompanhamento e tratamentos corretos, a pessoa com esquizofrenia pode viver uma vida normal.

Quais as dificuldades de uma pessoa com esquizofrenia?

PESQUISA A realidade do viver com esquizofrenia The reality of living with schizophrenia La realidad del vivir con esquizofrenia Renata Marques Oliveira I ; Priscila Cristina Bim Rodrigues Facina II ; Antônio Carlos Siqueira Júnior III I Universidade de São Paulo, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Psiquiátrica.

Mestranda) Ribeirão Preto-SP, Brasil II Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo. Ribeirão Preto-SP, Brasil III Faculdade de Medicina de Marília, Curso de Graduação em Enfermagem. Marília-SP, Brasil Autor correspondente Autor correspondente: Renata marques Oliveira E-mail: [email protected] RESUMO Objetivou-se entender a realidade do viver com esquizofrenia a partir do relato de quem a vivencia.

Foram realizadas entrevistas com dez portadores de esquizofrenia internados em hospital geral, diagnosticados com o transtorno há, no mínimo, cinco anos. Para a análise do conteúdo das entrevistas foi utilizada a análise temática. Foi identificada a categoria “Convivendo com a esquizofrenia” e seis temas que abordam o conhecimento da doença, os sintomas, a difícil convivência, o estigma, a família e a religião.

  • Esta pesquisa pode permitir a ampliação do olhar para os portadores de esquizofrenia, uma vez que o conhecimento sobre a doença e suas implicações ocorreram a partir da perspectiva de quem vivencia cotidianamente este sofrimento.
  • Descritores: Esquizofrenia; Qualidade de vida; Formação de conceito; Enfermagem psiquiátrica; Pesquisa qualitativa.

ABSTRACT The study aimed to understand the reality of living with schizophrenia from the account of people who live with it. Interviews were conducted with ten patients with schizophrenia hospitalized in a general hospital, diagnosed with the disorder for at least five years.

The thematic analysis was used for the content analysis. As results, it was identified the category “Living with schizophrenia” and six themes, which concern: the knowledge of the disease, the symptoms, the hardship of living with the illness, the stigma, the family and the religion. In conclusion, this work can allows broader look at people with schizophrenia, since the knowledge about the disease and its implications occurred from the perspective of who live with such suffering on a daily basis.

Key words: Schizophrenia; Quality of life; Concept formation; Psychiatric nursing; Qualitative research. RESUMEN Objetivó-se ccomprender la realidad del vivir con esquizofrenia a partir del discurso de quien la vivencia. Como método, se han realizado entrevistas con diez pacientes con esquizofrenia admitidos en un hospital general, diagnosticados con la enfermedad durante al menos cinco años.

  1. Para el análisis de sus contenidos fue utilizado el Análisis Temático.
  2. Fue identificada, como resultado, la categoría “Conviviendo con la Esquizofrenia” y seis temas, que abordan: el conocimiento de la enfermedad, los síntomas, la difícil convivencia, el estigma, la familia y la religión.
  3. En conclusión, este trabajo permitió la ampliación de la mirada para los portadores de esquizofrenia, ya que lo conocimiento de la enfermedad y sus implicaciones ocurrirán desde la mirada de quien vivencia diariamente ese sufrimiento.

Palabras clave: Esquizofrenia; Calidad de vida; Formación de concepto; Enfermería psiquiátrica; Investigación cualitativa. INTRODUÇÃO A esquizofrenia é conhecida como uma das doenças psiquiátricas mais graves e desafiadoras. É definida como uma síndrome clínica complexa que compreende manifestações psicopatológicas variadas de – pensamento, percepção, emoção, movimento e comportamento (1-3),

  1. Trata-se de uma doença bastante prevalente dentre as condições psiquiátricas.
  2. Atualmente, os pacientes com esquizofrenia são maioria nos leitos de hospitais psiquiátricos.
  3. No Brasil aparecem cerca de 75.000 novos casos desse transtorno por ano, o que representa 50 casos para cada 100.000 habitantes (3-4),

É comum, porém pode ser considerada pejorativa, a denominação “esquizofrênico” para o indivíduo portador de esquizofrenia, uma vez que é rotulado perante toda a sociedade. Ao serem rotulados, esquece-se que, em cada pessoa, a doença repercute de uma forma diferente.

A mudança na maneira de se referir aos portadores de esquizofrenia tem sido uma tentativa de fazê-los ser considerados pessoas com um problema ao invés de pessoas-problemas (5), Essa preocupação acerca da denominação do portador de esquizofrenia faz parte das mudanças que vêm ocorrendo nos conceitos de doença mental e assistência na área, pois o foco principal não reside mais apenas no aspecto biológico, mas também nos aspectos psicossociais.

Por essa nova concepção, trabalha-se com a ideia de descoberta de sentido mesmo na condição de adoecimento, visto que as potencialidades do portador de esquizofrenia não podem mais se resumir à doença (6-7), Esse processo de descoberta de sentido na esquizofrenia torna-se um processo extremamente difícil e doloroso, pois a convivência com o transtorno é acompanhada de intenso sofrimento e limitações.

  1. As limitações, de modo geral, decorrem da deterioração de vários processos mentais, fazendo com que o indivíduo apresente alguns sintomas característicos da esquizofrenia, conhecidos como sintomas positivos e sintomas negativos (3,8-9),
  2. Os sintomas positivos são aqueles em que ocorrem comportamentos adicionais nos momentos de crise psiquiátrica como delírios, alucinações, alterações na fala e no comportamento (catatonia, transtornos dos movimentos, entre outros).

Acredita-se que a apresentação dos sintomas positivos, especialmente os delírios e as alucinações, tem relação íntima com as particularidades de cada indivíduo, com suas experiências de vida e com as relações estabelecidas com os fatos ao seu redor, podendo ser considerada uma forma de o indivíduo comunicar seus medos e impulsos (3,5,10),

Os sintomas negativos, por sua vez, são aqueles em que ocorre perda da função, caracterizando-se por diminuição da atividade motora e psíquica, bem como das manifestações emocionais, exemplificados como afeto plano e anedonia. Esses sintomas podem ocorrer também devido a causas secundárias da doença como privação ambiental, quadros depressivos, ansiedade, além dos efeitos colaterais das drogas antipsicóticas (3,10),

Uma das maiores dificuldades da esquizofrenia reside em sua cronicidade (sintomas negativos) e na recorrência dos sintomas agudos (sintomas positivos). A apresentação desses dois tipos de sintomas é responsável pelas consequências pessoais do convívio com a esquizofrenia que são refletidas na vida afetiva, social, familiar e financeira, com destruição de sonhos, desconsideração do portador como ser humano, sentimentos de menos valia e sentimento de não ser compreendido pelos familiares e amigos (8-9),

Considerando a complexidade, a severidade, o intenso sofrimento e os inúmeros prejuízos que a esquizofrenia pode causar-nos diversos aspectos da vida de seus portadores e seguindo as ideias de transformação dos conceitos de doença mental e assistência psiquiátrica, é importante um novo olhar para os portadores deste transtorno, dando-lhes voz, acolhendo e valorizando seus sofrimentos neste processo de descoberta de novo sentido para a convivência com a esquizofrenia.

Neste estudo, objetivou-se entender a realidade do viver com esquizofrenia, bem como suas implicações para o acometido por ela, a partir do relato de quem a vivencia. PERCURSO METODOLÓGICO Este estudo foi submetido à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da Famema, tendo obtido sua aprovação sob Protocolo de estudo nº 227/08, de acordo com a resolução 196/96.

  • Para alcançar seus objetivos foi utilizada a pesquisa de campo de natureza exploratória, segundo a abordagem qualitativa.
  • Por meio da metodologia qualitativa exploratória, o pesquisador consegue compreender a realidade vivida pelos sujeitos envolvidos, a partir do contato direto com quem a vivencia.
  • Por trabalhar com o universo dos significados, este tipo de metodologia permite ao pesquisador não somente descrever aquilo que observa, mas também interpretar, buscar explicações, reflexões e percepções das diferentes facetas do problema estudado (11-12),

Como estratégia para descrever a experiência de ser portador de esquizofrenia foram realizadas entrevistas com dez sujeitos diagnosticados com o transtorno e internados na enfermaria de psiquiatria do Hospital das Clínicas de Marília. A amostra foi obtida de modo intencional não probabilístico, seguindo o critério de saturação empírica, definido por Glaser e Strauss (13),

As entrevistas, realizadas no período de junho a dezembro de 2008, foram baseadas na seguinte questão norteadora: Qual o significado de ser um portador de esquizofrenia? As entrevistas somente foram realizadas após esclarecimento e assinatura do Termo de Consentimento Livre Esclarecido pelo participante do estudo e pelo familiar responsável.

Como critério de inclusão, foi considerado o diagnóstico de esquizofrenia realizado há, no mínimo, cinco anos e a ausência de delírios e alucinações proeminentes no momento da entrevista, o que ocorreu perto do momento da alta hospitalar. As falas foram gravadas, transcritas e submetidas à análise temática.

  1. Para analisar o conteúdo das entrevistas, foi utilizada a análise temática que consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem uma comunicação, cuja presença ou frequência signifiquem alguma coisa para o objetivo analítico visado (11),
  2. Para a realização deste tipo de análise são sugeridas três etapas: pré-analise, exploração do material e tratamento dos resultados obtidos.

Na análise dos dados, os sujeitos do estudo são apresentados seguindo a codificação por nome de flores, de forma a garantir o anonimato. RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram deste estudo dez portadores de esquizofrenia, seis do sexo feminino e quatro do sexo masculino.

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A faixa etária foi bastante variada, de 21 a 50 anos. Quanto ao estado civil, quatro eram divorciados, quatro casados e dois solteiros. No que diz respeito à escolaridade, apenas um era analfabeto, três tinham o ensino fundamental incompleto, um tinha o ensino fundamental completo, três tinham o segundo grau incompleto, um tinha o segundo grau completo e um tinha o ensino superior incompleto.

Cinco dos entrevistados eram católicos, quatro evangélicos e um espírita. Quanto às atividades desenvolvidas antes de se tornarem portadores de esquizofrenia, dois eram estudantes, um não realizava nenhuma atividade e os demais trabalhavam em diferentes serviços.

  • Após o início da manifestação da doença, sete dos entrevistados passaram a não exercer qualquer atividade, dois tornam-se usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e apenas um continuou trabalhando.
  • A partir do processo de análise dos dados foi identificada a categoria Convivendo com a esquizofrenia e seis temas: 1) a dificuldade de se conviver com a esquizofrenia e os prejuízos na qualidade de vida, 2) o conhecimento sobre a doença, 3) a estigmatização do doente mental e o autoestigma, 4) a convivência com os sintomas da esquizofrenia, 5) a difícil convivência da família com a esquizofrenia e 6) as influências da religião na convivência com a doença.

A trajetória do portador de esquizofrenia é repleta de muito sofrimento, pois o convívio com a doença ocasiona mudanças significativas na vida do indivíduo. Deste modo, o início da manifestação da doença pode ser visto como um marco entre o que era considerado normal e o que passa a ser considerado doentio.

  • A dificuldade de se conviver com a esquizofrenia e os prejuízos na qualidade de vida A dificuldade de se conviver com a esquizofrenia ficou muito evidente nas falas dos entrevistados.
  • Isto se deve ao prejuízo que ocorre na qualidade de vida, termo este de grande importância ao se falar em doença crônica.

Qualidade de vida é entendida como tudo aquilo que é significante para o indivíduo, sendo um conceito amplo que agrega todos os aspectos da existência do ser humano e sua impressão a respeito de cada uma delas, considerando também os diferentes contextos culturais (1,14),

Orquídea relatou de forma abrangente a dificuldade de se conviver com a doença: Mudou minha vida totalmente pra pior. (Orquídea) A OMS (Organização Mundial da Saúde) compreende qualidade de vida como a saúde física, a saúde mental, o grau de independência que o indivíduo consegue ter em relação aos demais, as relações sociais e os mais diversos tipos de crenças, podendo-se considerar ainda o trabalho e as relações familiares.

Os entrevistados relataram o comprometimento da qualidade de vida em alguns desses aspectos definidos pela OMS. Meu pai achou melhor eu dar ele pra essa senhora. Eu não ia conseguir cuidar dele porque eu só tava ruim. E verdade, eu tava ruim. (Margarida) Eu estudava nutrição peguei muita DP, minhas notas foram ruins.

  • Numa prova de fisiologia eu acabei escrevendo várias palavras sem nexo.
  • Ao invés de responder às perguntas, eu respondi outros tipos de assuntos.
  • Rosa) Não tem disposição,
  • Sempre gostei de trabalhar, de estudar, de sair à noite e eu não posso mais.
  • Não tem como trabalhar, não tem disposição, não consegue se concentrar, tudo cansa rápido! Você pega uma coisa pra fazer e às vezes não conclui por inteiro, desanima Eu tinha o meu dinheiro, hoje eu já não tenho, eu tinha responsabilidade, hoje eu já não tenho.

(Orquídea) Orquídea relatou a importância que a atividade de trabalhar tinha em sua vida e a dificuldade de mantê-la a partir da convivência com a esquizofrenia. No caso da doença mental, trabalhar torna-se mais complicado, uma vez que são vários os fatores que prejudicam a sua concretização como baixa autoestima, dificuldade de lidar com situações frustrantes, medo de errar, dificuldade de viver de maneira independente e a ansiedade (15),

Em uma revisão da literatura científica, os autores apresentam dois estudos realizados sobre qualidade de vida e trabalho na esquizofrenia. Um dos estudos mostra que os portadores de esquizofrenia que possuíam algum tipo de trabalho e consequentemente uma fonte de renda, mostraram-se com melhor qualidade de vida, comparados com aqueles que não trabalhavam.

Já o segundo estudo mostra uma relação inversa ao considerar que o trabalho para estes indivíduos pode ser prejudicial, uma vez que pode ser exigente e estressante, fazendo com que os indivíduos tenham uma piora na qualidade de vida pelas restrições dos recursos pessoais de enfrentamen (1), como observado abaixo: onde eu trabalhava não era bom pra mim por causa da patroa, né! Ela era muito exigente.

(Violeta) Trabalhar no meu caso não dá por causa do estresse. Se eu ficar em situação de estresse, de nervosismo ou de desentendimento, dá alucinação e ambiente de trabalho não é calmo. Eu já trabalhei e sei como é. (Orquídea) A percepção dos prejuízos pelos indivíduos portadores de esquizofrenia varia de acordo com o tempo de diagnóstico da doença.

Aqueles indivíduos com menor tempo de diagnóstico os vê de forma mais intensa, pois estão mais próximos do que era considerado padrão de normalidade por eles próprios, enquanto que aqueles que possuem maior tempo de diagnóstico já estão adaptados à nova condição, tendo criado, a partir da doença, um novo padrão de normalidade.

Outra explicação dada pelo autor seria que a melhor adaptação pode ser decorrente do maior tempo de tratamento, fazendo com que o indivíduo apresente um quadro estável (16), Frente às inúmeras dificuldades ocorridas na esquizofrenia, é fundamental valorizar as atividades que o indivíduo ainda consegue realizar, sendo uma delas o autocuidado.

O autocuidado pode ser entendido como o estímulo à preservação da capacidade de fazer parte do gerenciamento do seu tratamento, das relações sociais e familiares estabelecidas, bem como ter algum grau de controle e autonomia no ambiente em que vive; enfim, ser capaz de cuidar de si mesmo nos diferentes aspectos de sua vida.

O importante é fazê-los se sentir ativos na construção de suas próprias histórias (15), Conhecimento sobre a doença O significado que os portadores de esquizofrenia atribuem à doença é fortemente influenciado por fatores culturais, relacionamento familiar e tipo de tratamento recebido. Uma concepção cultural bastante frequente sobre a esquizofrenia é sua explicação como um “problema na cabeça”, o que pode ser entendido como uma forma de conviver melhor com a dura realidade, uma vez que resistem em utilizar a palavra esquizofrenia, adotando termos mais abrangentes ao se referirem à doença (17),

Deve ser alguma coisa da cabeça, né, mas certeza, certeza, eu não sei. (Girassol) Indaguei que poderia ser um desequilíbrio químico do cérebro. (Rosa) Este modo de se referir à doença e à sua realidade não se explica somente pelo desconhecimento ou incerteza sobre ela.

Na verdade, esses pacientes mostram uma apropriação do conhecimento biológico, ao atribuir a uma determinada parte do corpo a responsabilização da esquizofrenia (17), Essa priorização do conhecimento biológico é decorrente do fato de que a assistência à saúde mental é ainda muito voltada para as causas orgânicas, sendo menos abordados os aspectos psicológicos e sociais (18),

Considerando que, apesar da convivência diária com a esquizofrenia, o indivíduo muitas vezes não tem compreensão do seu real significado, deve-se considerar a importância de se conhecer a doença. É importante que a equipe de saúde não esteja presente somente nos cuidados durante a fase aguda, mas que também atente à necessidade de ajudar o paciente e sua família a conhecer melhor a doença, já que, apenas a partir de sua compreensão, é que pode haver uma melhoria na qualidade de vida, tanto do portador de esquizofrenia como na de seus familiares (19),

  • Quando o paciente e a família passam a conhecer a doença, conseguem identificar antes da equipe as situações de risco para recaídas e os sintomas precedentes, bem como os efeitos colaterais das medicações.
  • Nesse caso, é possível que a equipe de saúde intervenha de forma precoce no processo de recaída, numa tentativa de estabilizar o quadro do paciente (20),

Isto pode ser evidenciado na fala a seguir: Eu tenho sensibilidade, hoje eu sei, se eu tiver aqui conversando com vocês eu posso sentir. Se eu for ter alucinação eu sei, eu já busco ajuda antes. (Orquídea) Uma maneira de melhorar o entendimento do paciente e da família sobre a doença é por meio da psicoeducação, que pode ser entendida como o fornecimento de informações sobre os sintomas, a etiologia, o tratamento e o modo de viver melhor sendo um portador de doença mental (21),

  • A estigmatização do doente mental e o autoestigma O estigma é algo que se faz presente no cotidiano do portador de esquizofrenia.
  • Quando ocorre a estigmatização, o indivíduo passa a ser visto apenas com o enfoque na doença e nas suas consequências, tendo suas particularidades pessoais desconsideradas (22),

Desse modo, aquilo que ainda é preservado no indivíduo torna-se insignificante e os defeitos se sobressaem ao que ainda poderia ser considerado normal. As consequências da estigmatização para o doente são a perda da autoestima, a perda da dignidade, os sentimentos de desesperança, o afastamento das relações sociais, a perda da cidadania e de seus direitos, diminuindo as possibilidades de ressocialização, uma vez que, na visão da sociedade, estes indivíduos fogem das normas sociais (19,23),

  1. Como fator causal da estigmatização, pode-se considerar a falta de conhecimento acerca da doença, o que é responsável pelas idéias preconceituosas, assim como o temor daquilo que não se conhece e de suas consequências (23),
  2. É reconhecido que o louco, ao mostrar a face sadia, é insuportável, pois se aproxima do normal.

Parece existir a necessidade de se criar uma barreira entre o “ser louco” e o “ser normal”, uma vez que, quando o lado ainda preservado do “louco” é reconhecido, a proximidade com a loucura fica mais evidente, fazendo com que se estigmatize o doente (23,24),

  1. A necessidade de se criar esta barreira pode ser explicada ao pensar que, apesar de ser difícil compreender o conteúdo das falas dos portadores de esquizofrenia, é muito raro alguém ouvir e não se abalar ou dar significado ao que é dito.
  2. O que os portadores de esquizofrenia dizem provavelmente é o que a nossa sociedade considerada “normal” não tem coragem de dizer, do mesmo modo como suas atitudes e comportamentos concretizam aquilo que muitos pensam, mas temem realizar (25),

Ao perceber esta semelhança e a fragilidade do simples fato de ser humano, o estigma passa a ser visto como poderoso meio de defesa. Os entrevistados relataram suas percepções sobre a aceitação/preconceitos por parte das pessoas que os cercam: Eu não gosto quando os vizinhos de casa me chamam de louca.

  • Todos os meninos da rua me chamam de louca: lá vem a louca! Falei: louca é quem come merda e rasga dinheiro.
  • Dá um dinheiro aí pra ver se eu rasgo.
  • Eu fico nervosa! Não posso falar disso que eu fico com vontade de chorar.
  • Margarida) Acho que mudam,
  • Mudam porque só o nome já diz: esquizofrenia! Só o nome já assusta! Eu acredito que é assim.

(Girassol) O diferente assusta, afastou todo mundo depois que eu fiquei doente permaneço com o mesmo círculo de amizades que eu já tinha. Fora os que já se afastaram porque eu sou assim. (Orquídea) Ao conviver constantemente com essas situações de estigmatização, tanto pela sociedade em geral, como muitas vezes pela própria equipe de saúde, os indivíduos acabam internalizando essas situações, de forma a se autoestigmatizarem, o que é mais difícil de ser superado (15),

Me sinto diferente, tudo em mim é diferente Só me sinto igual a quem tem o que eu tenho (Orquídea) As consequências do autoestigma envolvem sentimentos de incapacidade, menos valia, incompreensão, culpa e falta de esperança, o que influencia o planejamento de um futuro melhor para o indivíduo, uma vez que o sujeito se sente desqualificado e com baixa autoestima (22),

A fala de Orquídea, no exemplo acima, exemplifica bem a situação do autoestigma, pois a convivência constante dos portadores de esquizofrenia com o estigma provindo da sociedade como um todo faz com que eles internalizem as concepções pejorativas, o que os leva a se verem de forma diferente, não se permitindo conviver bem em sociedade.

A convivência com os sintomas da esquizofrenia Os sintomas provocados pela esquizofrenia são os mais severos e temidos dentre as enfermidades psiquiátricas, pois significam a perda do controle da vida e das emoções e as pessoas se veem frente a uma inundação de pensamentos desconexos e de percepções até então desconhecidas (26),

O indivíduo perde a noção do que é ou não é real, passando a viver num “mundo substituto” repleto de percepções visuais, auditivas e sensitivas que somente ele vê, somente ele ouve e somente ele sente, ou seja, os sentimentos ocasionados pela nova realidade são vividos de forma solitária (25),

No decorrer das entrevistas, foi possível perceber como o tratamento medicamentoso e as orientações dadas pelos profissionais foram importantes para alguns pacientes se convencerem de que os sintomas não são reais. Orquídea e Girassol, em suas falas, demonstram que, apesar de reconhecerem o quão difícil é ter alucinações, em um segundo momento explicam como foi o processo de aceitação no decorrer dos anos: vozes de comando: se mata! Ou pra matar alguém da família Pede pra cortar o pescoço, pede pra pegar álcool, pede pra por o cachorro na casa, pra cortar a mangueira do botijão, tudo o que é de ruim eu escuto se não tiver ninguém por perto na hora pode cometer, mesmo sabendo que é só pra mim, que ninguém tá vendo.

(Orquídea) Eu tentava convencer todo mundo de que era real e pra mim é. Eu tô vendo, pra mim é! Depois que os anos foram passando, os remédios foram mudando, eu passei a entender. Agora até no surto eu consigo entender que não é real. (Orquídea) Parecia que uma pessoa ficava falando no meu ouvido que nem quando uma pessoa tá conversando Quando eu tava no hospital eu expliquei das vozes pro médico, aí os outros pacientes que escutaram começaram a dar risada, acharam que eu tava falando besteira.

(Girassol) Não acredito mais, não, isso aí veio da própria cabeça, né! Quando eu comecei o tratamento e parou eu pensei: o tratamento resolveu, o remédio resolveu o problema. Aí eu entendi que não era verdade. (Girassol) Já Rosa, em sua primeira fala, descreve as alucinações auditivas demonstrando ter certeza de sua real existência, porém, no segundo momento da entrevista, mostra-se indecisa quanto à questão.

Isso equivale a uma das etapas do processo de aceitação, sendo fundamental que os profissionais a reconheçam, uma vez que cabe a eles instigar a dúvida nos seus pacientes: Pelo menos umas 50 vozes cada uma tem um nome. Um se chama Alvin, ele é homossexual fica contando histórias.

  1. O outro é Daiá-Conxú, tradição chinesa, ele gosta de conversar.
  2. Respondo mentalmente, às vezes é preciso da boca mesmo.
  3. O duro é que minha mãe acha que eu tô falando sozinha, é estranho!,
  4. Rosa) Às vezes eu acho que são reais, às vezes eu acho que eu tô ficando louca de novo, então é uma indecisão.
  5. Rosa) Nas falas de Violeta, fica evidente que, em nenhum momento, ela aceitou os sintomas da doença como não sendo reais, o que tornou sua realidade mais sofrida, levando-a a atos de desespero como a retirada de todos os fios de cabelo da cabeça.

Eu ouço, tá tudo em volta. É voz de gente viva mesmo com quem eu converso São vozes inimigas É a Geraldina e o velho, conversam à noite Elas falam alto, né! falam coisa ruim, coisas mandadas, né. (Violeta) O que a gente vê é a realidade, é verdade, né! eu chamo ela pra ir na delegacia pra confirmar que a gente tem ladrões perto de casa, mas ela não acredita e eu acabo arrancando,

(Violeta) Pelas falas apresentadas, são percebidas diferentes atitudes dos portadores de esquizofrenia frente à experiência dos sintomas psicóticos. Alguns entrevistados aceitam os sintomas como não sendo reais, alguns já se permitem a dúvida, enquanto outros os percebem como reais. A partir disso, vale ressaltar a importância dos profissionais estarem atentos para essas questões, respeitando o momento de aceitação de cada um, mas sempre os estimulando a distinguir o que é ou não real.

A difícil convivência da família com a esquizofrenia Durante a convivência com a esquizofrenia, a família também participa do sofrimento. Orquídea ressaltou o apoio recebido de seus familiares e também fala da incompreensão de sua doença por pessoas fora de seu convívio familiar.

  • A família deve ser vista por seus membros como um porto seguro, em que se encontra apoio e compreensão (27),
  • Sempre tive apoio e eles compreendem o que eu tenho, todo mundo da minha casa.
  • Amigos, parentes e pessoas que não moram comigo não entendem,
  • Orquídea) A família é importante por ser considerada uma continuidade do paciente.

O modo de pensar e agir dos familiares afeta diretamente o ente adoecido (28,29), No entanto, não é sempre que os familiares estão dispostos a se envolver com os problemas do ente adoecido e com seu tratamento. A não aceitação por parte da família é prejudicial para o portador de doença mental, visto que ele pode se sentir desamparado.

A dificuldade de aceitação do doente no convívio familiar ficou bastante evidente nos discursos. até hoje não me aceitam na casa deles não deixam eu ficar na casa deles, mandam eu ir embora pra minha casa. (Dama da Noite) Eles não ligam muito pra mim, não. Cada um vive a vida deles, de vez em quando perguntam como que tá.

(Copo de Leite) O convívio com o portador de esquizofrenia é um processo complicado, principalmente para os familiares que convivem diariamente com ele. Com o início da doença e as alterações comportamentais do indivíduo com esquizofrenia, a família passa por diversas mudanças em seu dia a dia, uma vez que ele requer muita atenção e a família acaba cedendo por ter receio de que este, ao ser contrariado, mostre-se agressivo.

Além disso, a prolixidade, muitas vezes sem sentido para quem escuta, torna-se exaustiva à medida que ocorre (29), Com o início da doença e os episódios de crise, as famílias sofrem um impacto muito grande, sendo que as estruturas antes existentes podem não ser capazes de ajudá-las a suportar o momento (29),

Então, a convivência constante com a doença mental gera uma sobrecarga emocional bastante intensa para a família (7,29), No decorrer das entrevistas, houve a contribuição de um familiar que acompanhava um dos entrevistados: Mudou horrivelmente, terrivelmente, que palavra mais eu posso dizer?! Pra mim não foi legal Carga pesada! Eu, na minha vida, isso aí não é um probleminha, isso aí virou uma jamanta! Enorme! Matou eu, moça! (mãe da Rosa) Devido à complexidade da doença e do sofrimento durante sua descoberta, alguns familiares podem ter atitudes de não aceitação e negação frente aos primeiros sinais da doença (30) como uma forma de se proteger, como visto no relato abaixo: Gritei: mãe, vem cá, um vulto! Minha mãe não me deu muita atenção, fez uma cara como se eu estivesse mentindo: não foi nada, você não viu nada.

Cravo) Essa atitude por parte da família é prejudicial para o doente mental, uma vez que o fato de negar a doença não faz com que ela deixe de existir e afasta, ainda mais, o doente do convívio familiar, fazendo com que passe a se sentir sozinho frente a uma situação desconhecida e aterrorizante. As influências da religião na convivência com a doença A religiosidade é um aspecto bastante importante na vida das pessoas, interferindo na saúde e nos transtornos men (31),

Ela pode ser entendida como recurso de ajuda para a difícil convivência com a doença mental, auxiliando em sua compreensão, uma vez que atribuem a Deus a sua responsabilidade. Este comportamento permite suportar melhor o convívio com a esquizofrenia e suas consequências (17),

Por ser uma doença crônica sem possibilidade de cura, seus portadores encontram na religião uma fonte de conforto e esperança, um “pronto-socorro espiritual” (31), onde se acredita na possibilidade de haver cura divina. No caso dos evangélicos, a religião é também vista como fonte de ajuda para o portador de doença mental devido às relações sociais estabelecidas com a comunidade religiosa, o que pode ser comprovado com o menor tempo de internação que seus fiéis costumam apresentar (31),

A proximidade, de forma intensa, do portador de doença mental com as questões religiosas pode representar, porém, uma possibilidade de recaída (17), Um aspecto negativo das igrejas mais conservadoras é a não aceitação do tratamento medicamentoso como recurso para controle da sintomatologia, julgando-se aptas a apoiar os indivíduos portadores de doença mental com base apenas no diálogo e na oração (31),

No começo, acho que em quase todos os casos, as pessoas pensam que é espiritual. E o que eu pensava também, pensava que era coisa de outro mundo, que era espiritual, igreja assim ia resolver o meu caso e não remédio e médico E muita gente falando: joga os remédios fora, você não precisa disso, vai numa igreja.

(Orquídea) falam que é pra eu ir na igreja que tudo vai acabar e que é coisa da minha mente. Eles curam, né! Agora eu sou espírita a gente tem o dom, né, fia eu sou médium, né, (Violeta) Com as falas dos entrevistados, reconhece-se que a religiosidade realmente é bastante importante na vida dos indivíduos portadores de doença mental, mas que muitas vezes eles são influenciados de maneira negativa por ela, agravando o curso da doença.

  1. Cabe aos profissionais da saúde mental identificar que tipo de contribuição a religião tem na vida desses indivíduos e, dependendo das influências exercidas, alertá-los para o fato.
  2. CONCLUSÕES A partir do resultado apresentado neste estudo, é possível compreender como é importante escutar as pessoas que vivenciam a esquizofrenia diariamente em todos os seus aspectos.

As falas dos entrevistados foram surpreendentes, pois deixaram implícito o significado de ser um portador de doença mental. O momento da entrevista foi também de grande importância para a valorização destes indivíduos, uma vez que tiveram oportunidade de ter seus sofrimentos acolhidos, escutados e valorizados, exercitando, mesmo que singela e temporariamente, seu direito de cidadania.

  1. Os entrevistados puderam expressar, nos relatos, o sofrimento vivenciado a partir do convívio com a esquizofrenia e os prejuízos na qualidade de vida, de forma especial nos relacionamentos, nas atividades diárias, no trabalho e no estudo.
  2. Os próprios entrevistados mostraram ter consciência da influência direta da esquizofrenia nesses aspectos da vida.

Os pacientes entrevistados ainda mostraram conhecimento sobre a doença, sendo que muitos atribuíram sua ocorrência a fatores orgânicos, chegando a e evitar o uso da palavra “esquizofrenia” para se referir à doença, preferindo a utilização de termos mais abrangentes e menos impactantes.

No entanto, apesar de evitarem o uso do nome da doença, mostraram como a convivência com ela os ajudou a conhecê-la em seus diferentes aspectos, inclusive ajudando-os na prevenção de crises. Uma questão muito delicada abordada nos relatos diz respeito ao estigma que os portadores de esquizofrenia percebem das pessoas que vivem ao redor e ao autoestigma, mais limitante e causador de maior sofrimento do que aquele advindo da sociedade.

Ao falarem da difícil convivência com a doença, ficou muito evidente a importância da família nesse processo. Não houve, no entanto, homogeneidade nos relatos, pois algumas pessoas verbalizaram sentir-se apoiadas, enquanto outras não. Isso permite afirmar que cada família reage de um modo diferente frente à convivência com a doença mental.

A religião também foi lembrada como auxílio na convivência com a esquizofrenia, tendo como aspecto negativo a influência de algumas pessoas que incentivam o doente a abandonar os remédios e procurar apenas a cura divina. Espera-se que este estudo ajude os estudantes e os profissionais da saúde a conhecerem, a partir do relato dos portadores de esquizofrenia, o real sofrimento ocasionado por esta difícil convivência e que, a partir deste conhecimento, reflitam sobre sua prática cotidiana, uma vez que, independente da área em que o profissional da saúde escolha atuar, sempre haverá oportunidade de acolher um portador de doença mental com dignidade e respeito à sua cidadania.

Espera-se também que este estudo seja motivador para a realização de muitos outros, pois a pesquisa sempre prossegue, nunca estará concluída, havendo sempre novas verdades a serem desocultadas (32), AGRADECIMENTOS Agradecemos à equipe da Enfermaria De Psiquiatria do Hospital das Clínicas de Marília pelo apoio durante a coleta dos dados; e à Adriana Marques de Oliveira pela revisão crítica do trabalho.

Quando é necessário internar um esquizofrênico?

Quando a internação é necessária? – De modo geral, a internação na esquizofrenia é necessária somente em casos graves. Em um primeiro momento, costuma-se adotar outra abordagem. No entanto, pacientes em surto psicótico e que não respondem de forma adequada ao tratamento farmacológico precisam da vigilância contínua.

Como é a voz da esquizofrenia?

Diferenças na voz – Os resultados mostraram diferenças na entonação de voz entre indivíduos com e sem esquizofrenia. Ana Cristina explica que as pessoas com esquizofrenia apresentaram pouca variação de simetria e dispersão na entonação da fala, ou seja, elas expressavam suas emoções pela voz de forma menos acentuada.

Os participantes com esquizofrenia se emocionavam mais, choravam mais. Quando contavam algo engraçado davam muita risada, por exemplo, o que nos participantes sem transtorno mental não acontecia”, conta. Por outro lado, as pessoas sem transtorno mental percebiam o tipo de relação estabelecida na entrevista e usavam mais elementos emocionais e afetivos na fala.

Por isso, os gráficos de simetria e dispersão da voz apresentaram mais variações.

Quais são os 7 tipos de esquizofrenia?

De acordo com o Código Internacional de Doenças (CID-10), os tipos de esquizofrenia descritas são: a esquizofrenia paranóide, hebefrênica, catatônica, indiferenciada, residual, simples, não especificada e outras esquizofrenias.

Quais são as fases da esquizofrenia?

A história natural da esquizofrenia pode ser dividida em quatro fases: pré-mórbida, prodrômica, progressão e estabilização.

Quais são os sintomas positivos da esquizofrenia?

Sintomas positivos da esquizofrenia Alucinações. Delírios. Pensamentos desordenados (modos de pensar incomuns ou disfuncionais) Distúrbios do movimento (movimentos do corpo agitado)